domingo, 14 de agosto de 2016

23/04/2016 CARTA A MINHA MÃE, Myriam Urpia, quando ainda estava, contra sua vontade e sofrendo muito, morando na casa de Sandra em Aracaju, tendo sido levada da casa de Lula em Maceió para Aracaju, mudança feita sob condições emocionais as mais adversas, sem que eu tivesse sido consultada a esse respeito. Na verdade, sequer comunicada desta grave decisão para a saúde física e psicológica da nossa mãe. Ver sobre este assunto, texto anterior. Provavelmente uma carta a Luiz Germano, meu irmão.

 Minha mãezinha adorada, A saudade é enorme. Cada dia que passa é mais um dia que não posso estar a seu lado, acariciar sua mão, assistir a missa junto e dizer pessoalmente o quanto a amo. O texto que estou lhe mandando é para você se distrair, e ver o quanto eu sou amada e cuidada por pessoas que não são da minha família. Você não precisa se preocupar com meu bem estar. Apesar da ausência de Sandra, Daniela, Lula e seus descendentes na minha vida, eu sou muito valorizada e querida por muitas pessoas que vivem ao redor de mim, e também muito reconhecida na minha competência profissional. A família de Rafa, você vai ver no texto, é para mim uma família adotiva, sem rancores, ciúmes, ressentimentos e mal entendidos que às vezes acontecem nas famílias consanguíneas, infelizmente. Amo muito Sandra, Lula e Daniela. Muito intensamente e gostaria de estar mais próxima deles. Lile, que eu adoro, pela dificuldade de acesso à Chapada Diamantina, fica, infelizmente mais inacessível. Tenho a impressão que Lula e seus descendentes, Sandra e Daniela, são muito rancorosos, com dificuldade de perdoar. Talvez não compreendam que se eu estou magoada, prefiro dizer claramente o que está me incomodando, sem entrar numa rede de intrigas e subterfúgios entre membros da família, que ficam às escondidas se queixando uns dos outros sem dizer diretamente, e mesmo tomando decisões importantes de contarem com a participação de toda a família, excluindo uns e outros. Tenho dificuldade de aceitar isso, embora compreenda que nós somos diferentes uns dos outros. Os dedos das mãos não são iguais. Eu sou daquele tipo que digo o que estou sentindo, depois passa a mágoa e a raiva e volto a querer bem à pessoa querida, deixando para trás o desentendimento e investindo no querer bem e numa troca amorosa. Talvez eles não possam entender isso, mesmo que se esforcem. Uma pena e uma grande dor no meu coração. Mesmo você estando idosa e um tanto fragilizada, como psicóloga acho que o melhor para nossa relação e para a sua saúde, é, com delicadeza, eu não esconder nada de você. Por isso, quero lhe dizer que fiquei muito aborrecida com Sandra, Lula, Lindaura e Daniela, por saberem que estavam lhe levando de Maceió para Aracaju, sem me comunicar, e menos ainda me consultar. Fiquei, surpresa, sabendo da decisão por você, que me contou chorando muito e muito magoada. Eu confesso que temi pela sua integridade física e emocional, e que não resistisse ao trauma, do modo ao meu ver inábil e sem delicadeza, como a decisão foi tomada e concretizada. Por que eu não fui consultada? O que eles estavam precisando esconder de mim? A respeito de Alfredo eu nem sei o que dizer. Ele não é da nossa família. Tem um nível de instrução rudimentar e receio não ser possível dialogar com ele como uma pessoa esclarecida. Eu não gosto dele, porque me destratou da última vez que estive aí, e ao telefone. Apenas o respeito. E sinto uma gratidão incomensurável a ele, pelo modo carinhoso como cuida de você. A esse respeito tenho cá comigo minhas desconfianças, que, por serem só desconfianças, prefiro não partilhar com você. Poderia magoá-la muito, e talvez, injustamente. Não seria correto de minha parte. Mas, por via das dúvidas, vou me protegendo por aqui, tomando as providências a que tenho direito. Mãezinha, o fato é que muito preocupada com as repercussões sobre você da desajeitada mudança de Maceió para Aracaju, eu acabei telefonando a Lula lhe dizendo alguns desaforos. Talvez eu tenha sido agressiva. Mas eu também estava me sentindo agredida por ele, no seu silêncio de quem se sente superior e à vontade para tomar decisões sobre você, sem me consultar, me excluindo. Além disso, escrevi uma carta que reconheço ter sido muito agressiva, contando como você foi levada de Maceió para Aracaju, dizendo da minha mágoa e preocupação com sua integridade física e emocional. Talvez inadequadamente, enviei a carta a todos os meus amigos íntimos, todos os familiares e alguns amigos seus. Certamente fui inadequada ao fazer isso. Mas queria, como disse a Lula, que todos soubessem que eu estava fora daquilo, não fui cúmplice daquela decisão da qual, de certa forma discordava. Antes mesmo de tudo isso, quando eu estive aí pelo Natal, senti que não era bem vinda por parte de Sandra e Alfredo. Me senti muito mal recebida, como se eles estivessem tolerando a minha presença por motivos estratégicos em relação a você não perceber nada. Me senti quase maltratada. Torço que por trás disso, não haja interesses espúrios e que seja só uma questão de ciúmes. Mas o fato é que eu percebo que eles não me querem por perto. O que estarão precisando esconder? Por que eles não suportam admitir que eu sou uma filha muito amada por você, cuja presença lhe faz bem? E por que Daniela parece ser cúmplice disso? O que será de tão importante para eles, que está em jogo nisso? Fiquei muito triste ao perceber que Sandra e Alfredo estavam, talvez pensando que eu sou idiota, mentindo descaradamente para mim em dezembro, quando fui pelo Natal, fingindo não terem conhecimento que você mudou-se definitivamente para Aracaju, quando partilhei com eles o desabafo que você fez comigo. Isso me deixa muito, muito triste. Pensar que mentir, dissimular, enganar o outro, faz parte dos mecanismos de funcionamento da minha família. Mas me deixa contente saber que eu, mesmo ás vezes, sendo inadequadamente agressiva, sou uma pessoa 100% honesta. Saí a você. Graças a Deus não tenho o que esconder de meus familiares nem de ninguém. Durmo com a consciência tranquila. O fato mãezinha, é que Sandra e Daniela parecem praticamente terem cortado relações comigo. Sobre Lula eu não sei o que dizer. Ele, normalmente sempre foi muito distante. É o jeito dele. Gosto tanto de todos eles, que fiquei super feliz porque Lula me incluiu na lista de um E-mail coletivo, sobre o bandido do Eduardo Cunha. Saber que Lula teve essa atenção comigo, uma mera bobagem, me deixou contente. Também gostaria muito de estar bem com Sandra e Daniela. Eu as amo muito. Sei que somos todos muito sofridos, e assim, cada um faz o melhor que pode. Ninguém é melhor que ninguém. "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", como diz Caetano Veloso. Resta dar tempo ao tempo, para poder compreender o que representa tudo isso. E pedir a Deus, que se eu os ofendi, que em algum momento eles me perdoem, ainda que sabendo que com uma família com características de ter muitos problemas na comunicação, na verdade muito ruído, na verdade temos que preencher nossas carências, também com outras coisas além da família. De uma coisa eu sei. Jamais deixarei de ir a Aracaju para ver você, segurar sua mão, sentir o seu cheiro, rezar com você. Como lhe disse, tenho três amigas adoráveis aí, que se disponibilizaram para me hospedar, com a maior generosidade. Talvez psicologicamente essa alternativa seja melhor para mim e para você. Nos vermos, sem que eu tenha que experimentar, estando quase colada, uma dinâmica familiar da qual eu sou muito diferente. Será melhor também para eles. Eles se entendem. Quem está fora disso sou eu, embora os ame imensamente, torça para que sejam felizes, sendo eternamente grata pela dedicação enorme que têm a você. Sandra lhe ama muito, é uma mulher forte e corajosa, com imensas qualidades. Eu a admiro e amo muito. Amo também muito Dani e me preocupo com ela. Quero muito que seja feliz. Sinto ternura e compaixão por todos nós. A vida foi um pouco árdua conosco. Gosto do senso de humor de Sandra, do jeito como consegue dar a volta por cima nas condições mais adversas. Sou também imensamente grata a Lula e Lindaura. Sinto muito amor por eles, Livinha, Lu, Leandro e meus sobrinhos netos. São adoráveis. A questão é que a diferente sou eu. Não consigo me encaixar muito bem em certos esquemas de funcionamento familiar. É uma questão minha. Eu é que tenho que ir administrando isso, da melhor forma que posso, sem agredi-los, sem deixar de amá-los, mantendo a distância regulamentar, para o bem de todos. Estou triste porque não vou poder ir aí no Dia das Mães. Estou completamente falida de grana, muitos problemas de saúde, comprando muitos remédios e trabalhando muito na causa da democracia. É uma luta árdua, que me motiva muito. Continuo sua filha revolucionária. Lembra das passeatas? De Dr. Armando me salvando? Agora estou liderando o movimento de organização política dos psicanalistas.Adoro fazer e isso e ganho muitos novos amigos. Mãezinha, fique certa que estou bem. Encontrada, adorando minha profissão, ler e estudar, tendo excelentes amigos. A saudade de você é que me entristece.Quem sabe não apareço aí, talvez em junho, ou quando pintar uma grana? O que importa é que não deixo de te amar por estar longe. "Longe dos olhos, perto do coração". Enviei este "Blá, blá, blá domingueiro sobre minha ida a Porto Seguro para você em carta comum e você não recebeu. Mistério....provavelmente do correio. Agora, além de enviar via SEDEX, tendo como controlar se a carta chegou aí ou não, como estou sendo acompanhada por uma advogada muito competente ( felizmente não me cobra nada. Como eu poderia pagar? Além de advogada, ela é também psicanalista. Então fazemos uma troca de serviços. Ela me assessora juridicamente e eu dou a ela supervisão psicanalítica. Está sendo muito bom), fui orientada por ela sobre ter a garantia que você recebeu a carta na íntegra e leu, somente você, como assegura a legislação de inviolabilidade de correspondência. A gente tem que se proteger até da sombra. Ainda que possam estar chateados comigo, eu não estou mais com eles, mando um beijo com enorme gratidão para Lula, Sandra, Dani, Lindaura e todo mundo da nossa família. Um beijo com amor, sua filha, Marcia Myriam. From: marciamyriamgomes@hotmail.com Subject: FW: "Blá, blá, blá domingueiro..."e...Amor à "Colombaiana". Date: Sun, 3 Apr 2016 20:04:11 +0000 03/04/2016 AMOR À "COLOMBAIANA" Olá, leitores da crônica domingueira, Quem de vocês quiser saber melhor quem é Rafael e como ele entrou e participa da minha vida, leia a crônica intitulada MATERNAGEM datada em 04/05/14 e que pode ser encontrada no meu blog cujo endereço é blablablazista. blogspot.com.br Aqui estou eu novamente escrevendo textos autobiográficos. DEDICATÓRIA: Esse texto, é dedicado à querida Denise Coutinho e a Naomar Almeida Filho, porque o amor a um filho goza da propriedade transitiva. "O Porto segura esse mar de amargura e devolve a doçura". Escrevi eu em 1993 no que viria a ser uma espécie de livro contendo diálogos que retratam uma dolorosa experiência amorosa que vivi, razão pela qual precisei retornar de São Paulo para viver definitivamente em Salvador, em 1991. Dois anos depois do meu retorno, escrevi parte da espécie de livro em Porto Seguro, para onde viajei em férias. Escrita, para tentar finalizar meu luto daquela relação tão conturbada, devastadora mesmo, que teve o seu traumático THE END com uma suposta viagem do outro a Porto Seguro, ou, melhor dizendo, para ser mais precisa, ao Arraial D'ajuda. Nossa, como podem as palavras ser tão irônicas? Irônicos somos nós no seu manejo. N'ajuda, estacionou para nunca mais o personagem bíblico invejosamente assassinado pelo irmão.Pelo menos nesta história aqui, ninguém foi assassinado. Só gosto de brincar com nomes. Quanto mais escuto meus pacientes, quanto mais sou escutada, mais me encanto com a Psicanálise desenredando sem de todo poder desenredar, a armadilha tecida, espécie de cama de gato dos nossos lapsos e esquecimentos bandeirosos. Acabei de ir e voltar de Porto Seguro passando também pelo Arraial D'ajuda numa viagem maravilhosa da qual voltei chorando muito, e só me dei conta que esses lugares têm relação com aquela terrível experiência amorosa e seu final, agora, neste momento em que sentei ao computador para escrever. Parece que finalmente estou curada. Sim ou não? Por que então,chorei aos prantos na despedida no aeroporto lá, e por mais algumas horas seguidas? Sim, estou curada. Já não era sem tempo, não é? É que o tempo é sem tempo e do desamor só indo à procura do amor. Procura. Pró cura. Rafa, Marina, Memo (Guilhermo) e Jéssica me devolvendo a doçura. Rafa, Marina, Memo (Guilhermo) e Jéssica, meu porto, segurando toda a amargura. Estou segura tanto quanto o porto, que todo aquele choro foi mesmo de saudade da experiência tão amorosa que vivi naqueles encantadores dias da Semana Santa, junto a Rafael, meu filho adotivo temporão e colombiano, melhor seria dizer"colombaiano", Marina, sua mãe, Memo (Guilhermo), seu pai, ambos colombianos, e Jéssica, a linda parceira amorosa de Rafa, baiana de Itororó vivendo no Arraial. Gosto de pensar que bem viver é deixar correr o barco da surpresa. Quem quer a tudo controlar, acaba controlado por tudo. Não é que em pleno palco da descoberta, descobri que mal conheço meu filho? Conheço. Mas seu afeto por mim e sua generosidade comigo e seus entes queridos, vão muito além do que eu pudesse ter imaginado. Foi uma bonita novidade saber que nos anos em que convivemos juntos na minha casa e nos períodos que ele vem para estadas mais curtas, não comenta certas coisas por discrição. Mas é muito atento e observador e muito sabe sobre mim. Na sua companhia sempre me senti muito à vontade, por sermos íntimos sem invasões de intimidade. Mas confesso que não imaginava que ele conhece muitas pequenas coisas sobre sua mãe brasileira.E deixa para usar esse bem saber na hora certa, para bem recebê-la como um cavalheiro respeitoso de uma senhora mais velha. Rafa e seus pais me deram essa viagem de presente. E lá estavam todos no aeroporto me esperando com sorrisos estampados nos rostos. Ser recebida no aeroporto por gente querida, particularmente quando se vem de momentos pessoais um tanto doídos, é para mim de uma beleza muito comovente. Não tem preço. Já os conhecia a todos. Marina e Memo já estiveram em Salvador há anos atrás e Jéssica esteve mais recentemente. Além disso, Marina e eu nos comunicamos, mesmo estando distantes. O abraço caloroso de Marina desfaz qualquer esboço de cerimônia. Na verdade eu não sabia a quem primeiro abraçar. E foi uma profusão de abraços. Como era de se esperar, algumas lágrimas marejaram meu rosto. Rafa diligentemente logo pegou minha bagagem e nos dirigimos para seu carro que eu estava conhecendo naquele momento. Então veio a primeira tocante e um tanto desconcertante surpresa. Eles haviam decidido juntos (famílias unidas e harmoniosas tomam decisões todos juntos) que durante a minha estada na casa de Rafa em Porto Seguro, eu ocuparia o lugar da frente do carro como um cuidado com a minha coluna. Não adiantou eu protestar. Afinal Marina tem minha idade e Memo é um pouco mais velho. Além disso, tinha Jéssica, com direito a assento junto do seu amado. Não adiantou eu protestar. Além disso, toda vez que eu entrava ou saía do carro, um deles vinha me auxiliar na acomodação do corpo. Muito comovida, comecei a perceber que o fato de eu ser a mãe brasileira de Rafa, me colocava numa posição de especialidade para aquelas pessoas simples, boas, sensíveis e gratas. Marina, ao invés de ser competitiva e ter ciúmes da minha relação com Rafa, é generosamente grata. Me disse que grande parte da personalidade brasileira de seu filho e de suas conquistas aqui, eles devem a mim. Imaginem vocês, que imensamente desprendida inversão de papéis. Sou eu quem agradece à vida ter colocado para morar comigo esse filho tão afetuoso, inteligente, sociável, de excelente caráter, aplicado a seus estudos e profissional brilhante. Eu nada fiz por ele, a não ser recebê-lo com carinho. O resto ele trouxe, por ser como ele é, tendo uma família tão harmoniosa. Fiquei muitíssimo bem impressionada com o orgulho que esses pais expressam, valorizando muito a competência e as conquistas profissionais de seu filho. Todos nós sabemos o quanto isso é importante e o quanto dói, quando falta. Aliás, Marina não tem mesmo porque ter ciúmes de mim. Ela e Rafa têm uma relação estabelecida por laços amorosos muito estáveis e muito valiosos. Então conseguem bem administrar a entrada de uma mãe brasileira no meio de campo. Ela disse muitas vezes da imensa alegria que sente em "compartir" esse filho comigo. Memo, mais reservado, menos falante e extremamente observador, com impressionante orientação espacial, tem o mesmo discurso. Ele é uma pessoa adorável. Quando chegamos do aeroporto na linda casinha de Rafa, outra surpresa pra lá de desconcertante e comovente. A casa de meu filho é bem a cara dele. Por ficar numa espécie de village e ser térrea, parece ser ao mesmo tempo um apartamento e uma casa. Local extremamente silencioso, rodeado de jardim bem cuidado, é um quarto e sala com suíte, cozinha e mais outro banheiro social. Mobiliado com bom gosto, num estilo mais artesanal. Por sermos cinco pessoas em um quarto e sala, eu fui, muito tranquila para Porto Seguro disposta a dormir num colchão na sala, de modo a deixá-los acomodados para dormir do modo que pudesse ser mais confortável, principalmente para Marina e Memo. Aí veio a surpresa muito desconcertante, uma dádiva de amor talvez jamais recebida onde quer que eu tenha me hospedado. Eles haviam decidido juntos (famílias unidas e harmoniosas tomam decisões todos juntos) que eu me instalaria no quarto de casal com banheiro de Rafa e Jéssica, Marina e Memo no sofá da sala e Rafa e Jéssica iriam dormir no Arraial. Fiquei pasma com a inesgotável reserva de amor daquelas pessoas. Por isso meu filho é tão especial. Protestei veementemente mas não teve jeito. Estava decidido, não sei o por que,que estava reservada para mim uma estada em Porto Seguro como se eu fosse uma rainha. E assim foi. Rafa havia contado a eles sobre todas as manifestações de carinho que eu havia feito a ele, desde quando nos conhecemos, até agora. Disse o que eu gosto de comer no café da manhã, das minhas restrições alimentares e o que eu gosto de vestir quando estou em casa. Tipo de roupa que eles me presentearam, além de outros presentes. Recebi também um presente de Nelly. Adorável amiga da família que se hospedou em minha casa quando minha mãe estava para se submeter a uma mastectomia. Na ocasião Nelly, junto com Rafa, ao invés de passearem em Salvador, resolveram cuidar de mim. E um dia em que eu estava abatida e triste com a doença de minha mãe e a arrasadora dinâmica da minha família, Nelly me acompanhou ao consultório e ficou na sala de espera velando por mim enquanto eu atendia os pacientes. Estou chorando. Os "colombaianos" têm qualquer coisa que ninguém mais tem que aciona o nosso lacrimódromo e nos faz até fantasiar que pode ser que algo como Deus até exista. Fazem sobretudo eu acreditar que eu sou uma pessoa boa que tem muito valor. A propósito de Deus, Marina e eu tivemos um divertido mal entendido linguístico. Havia alguns momentos em que Rafa não estava presente para traduzir. Eu não falo Espanhol e ela não fala Português. Mas nos entendíamos. Parece que quando há amor e paciência para falar devagar, todos se entendem seja qual for a língua, mesmo cometendo alguns escorregos no "Portunhol". Sabendo eu que a mãe de Rafa é muito religiosa e vai à missa todo dia e que Rafa não está ligando pra isso, no sábado de Aleluia me ofereci a Marina para acompanhá-la à missa no domingo de Páscoa. Eu entendi que ela aceitou, e de fato foi mais ou menos assim. Só que ela entendeu que ao invés de eu estar me oferecendo para obsequiá-la, eu estava pedindo para ir à missa e que isso era muito importante pra mim. Na manhã do domingo eu acordei depois das oito e combinamos de tomar um táxi que nos levasse a uma igreja nas imediações onde houvesse missa. O taxista foi logo informando que as missas são mais cedo e que àquela hora não havia mais. Mas se ofereceu para nos levar á Igreja de São Sebastião para fazermos orações. Fomos. Quando voltávamos para casa, ela disse :"Marcia, que pena que nós planejamos mas você não conseguiu assistir à sua missa. Eu assisto a minha todos os dias na televisão às 6:30 h da manhã. Por isso não me importei de não encontrarmos na igreja". Eu sorri comigo mesma e não quis desapontá-la quanto a seu entendimento do Portunhol. Sorrindo, eu contei o episódio a Rafa que também sorrindo virou-se para ela e disse: "Mas minha mãe, você queria levar Marcia, logo à missa?" Foi aí que ela não entendeu nada. Rafa e eu nos entendemos muito bem quanto às nossas afinidades gastronômicas. Consideramos um ao outro com ótimo faro para descobrir comida de boa qualidade, seja num restaurante francês ou num boteco. Não é pra menos. Marina cozinha maravilhosamente bem e eu pude experimentar. Ainda hoje sinto saudades das maravilhosas arepas com queijo no café da manhã. Os almoços em casa foram ótimos e eles me convidaram a ir a restaurantes maravilhosos. Pude comer um genuíno Pastel de Belém, feito mesmo à moda portuguesa. Toda a família sentia prazer em me proporcionar alegrias. Meu coração se enchia de júbilo cada vez que Rafa encontrava um conhecido na rua e me apresentava como sua mãe brasileira. Porto Seguro é uma cidade linda com praias maravilhosas e felizmente, mudou muito pouco de 1993 para cá. Passeamos muito e tomamos gostosos banhos de mar. Uma outra coisa divertida, aqui no caso mais para mim e Jéssica, era quando eu tirava a saída e ficava de maiô exibindo com vergonha a minha pelancaria. Ríamos muito. É que com mais de 60 anos perdi 15 quilos em 3 meses sem fazer atividade física. Haja pelanca! Em Trancoso, aquele monumento de beleza, eu abaixei sem querer para escolher um presente e tornei a torcer a coluna traumatizando o nervo. Aí então eles se desdobraram em cuidados comigo. Quando estávamos em casa me colocavam na cadeira de estudos de Rafa e não me deixavam levantar para fazer nada. Quando saíamos, Marina me apoiava num braço e Memo me apoiava no outro para eu não perder o passeio. Memo e Marina são pessoas muito inteligentes. Têm curiosidade pelas coisas, muito comportamento exploratório, sentem prazer em aprender. Respeitam e se orgulham do status intelectual do filho mas não se furtam a fazer uma interlocução com ele. Eles trocam. Nossa, isso é tão bom! Uma noite quando Rafa já havia saído com Jéssica, Memo, Marina e eu, quase que por acaso começamos a assistir na televisão o filme "A Menina que roubava livros". Fiquei impressionada com a facilidade com que com poucas pistas eles eram capazes de antecipar o que iria acontecer no enredo. A partir de uma certa altura estavam decodificando as legendas em Português. Jéssica é uma moça muito especial. É linda, sem fazer ostentação por isso. Parece uma modelo. Admiro muito nela o respeito que tem por seu parceiro. Eles não disputam, sem que por isso ela seja submissa. Ela é na dela. Não é de falar muito, sabe escutar.Tem uma sábia simplicidade e é muito atenciosa comigo.Cada vez que eu entrava no mar ela me acompanhava para ajudar na caminhada na areia. Estava sempre atenta ao que eu podia estar necessitando.Foi muito respeitosa da relação de Rafa com seus pais. É uma mulher batalhadora que trabalha de dia e estuda na universidade à noite. Estou muito contente com essa escolha amorosa de meu filho. Fico muito à vontade com ela e tenho prazer em recebê-la em minha casa. A Semana Santa acabou. Saí de Porto Seguro muito feliz por ver meu filho tão bem encontrado, profissionalmente também (ver dedicatória). Ele sabe se fazer amar onde chega. E dá sorte, o danado!! De encontrar pessoas bonitas em seu caminho. (ver dedicatória) Não é só sorte. É que sabe escolher. Saí de Porto Seguro abastecida de amor, me sentindo uma pessoa boa que faz bem ao outro. Nossa, como estava precisando disso agora. Acho que preciso aprender com meu filho a buscar o amor daqueles que têm amor pra dar. Por mais que doa não ter o leite, não se tira leite de pedra. E há pessoas pétreas........ Enfim, chegamos ao aeroporto de Porto Seguro. Hora de voltar pra casa, hora de não poder conter o lacrimódromo. Rafa não podia esperar até a hora de meu embarque. Jéssica estava no trabalho. Marina (63 anos), uma mãe colombiana que não fala Português, Memo (68 anos), um pai colombiano que não fala Português, ambos numa cidade estranha, num país estranho, já haviam decidido em casa que permaneceriam comigo no aeroporto até o avião sair. Depois pegariam um táxi para voltar para casa. Ela me compra a última coca-cola fora da dieta e coloca um pedaço de torta de frango em minha bolsa. Penso na minha mãezinha. Muita saudade da minha mãe. Como me dói a saudade da minha mãe!! Memo toma uma cerveja e faz elogios à simplicidade de Jéssica. Eu chorando como se a minha mãezinha fosse um frágil filhote de passarinho precocemente expulso do ninho. Eu chorando da mais pura gratidão. Seguro a mão de Marina, seguro a mão de Memo, nos beijamos no rosto. Entre muitas lágrimas, só consigo dizer "Muchas gracias!" e bem baixinho: "Pelo amor à Colombaiana"! Marcia Myriam Gomes.

domingo, 7 de agosto de 2016


From: marciamyriamgomes@hotmail.com
Subject: ASSINANTES DO MANIFESTO DE PSICANALISTAS, em prosa e números.
Date: Wed, 27 Apr 2016 14:33:30 +0000

Olá, amigas (os) e colegas psicólogas (os) implicadas (os) na defesa da DEMOCRACIA , contra o GOLPE e colegas psicanalistas da Bahia,

Ao que parece, me atacou alguma nostalgia do meu recente, mas nada saudoso passado de psicóloga cognitivista, que mesmo atuando na clínica ( em torno de 30 anos de trabalho), me via no apuro de fazer quantificações. Não sou boa nisso, mas às vezes vale a pena. Como disse o nosso querido Pessoa, "Tudo vale a pena quando a alma não é pequena." Parafraseando, eu digo para brincar um pouco com vocês: "Tudo vale a pena quando a causa não é pequena". E a nossa causa é vasta, tanto quanto o mundo de Drummond. Apostemos!! Estou inspirada. Parece até que estou apaixonada. Pela causa, com certeza estou. Será que só pela causa?

 São 5:30 h da manhã. Um tom róseo plúmbeo vai se esgarçando no céu. O que prevalecerá? O rosa ou o chumbo? Sobre isso dirão as camadas populares. Não importa quando. Com certeza, dirão. Com esperança, sem anos de chumbo. Que o chumbo, com luta, se desvanece do céu, desaparece dos anos. Dirão as camadas populares. Ainda que para dizer, tenhamos que de novo nos submeter à prisão, à tortura e à morte. Mas sejamos prisioneiros da fé na humanidade, torturados pelo desejo de justiça, e mortos do amor que pulsa nos corações valentes.

 Os valentes que enfrentaram o desprezível Coronel Luís Artur. De novo Drummond, de quem, com a aurora me lembro, da "Morte do Leiteiro". Sangue e leite compondo os tons do amanhecer. De novo Drummond, meu preferido poeta e revolucionário, que disse com certeza que a rosa é do povo. Parafraseando, eu digo: "O rosa é do povo" tanto quanto o céu é do condor. Lembram como lotada estava a Praça Castro Alves, com 110.000 pessoas naquela mani (de mandioca, para lembrar as nossas raízes indigenistas) festa (da alegria da Bahia, só pra rimar) ação (de "Ato", como no Seminário XV, porque todos nós sabemos o que diz J. Lacan) ? Eu não me esqueço. E quem são eles os de(puta)dos, para Castrar Alves? Como diria meu saudoso poeta Boaventura, nem com o Machado de Assis. Mas se for pra invocar Machado, que seja de novo, o poeta. Porque de armas não somos nós que entendemos.

Não pensem vocês que trabalhei varando a noite, pra fazer poesia. Sou mais da prosa. A poesia deixo com a minha amiga Ana Cecília, com seus silenciosos cismares. Trabalhei na causa a ponto de assistir a aurora, porque descobri que o meu computador é noctívago e à noite trabalha como um vampiro ávido por sangue. Na verdade, computador de pobre está mais para  morcego ávido pelas minhas bananas, do que para vampiro. Né, não? Então vamos à prosa. 

Recebi da coordenação do manifesto nacional dos psicanalistas, esta lista de assinantes atualizada depois do nefasto, quem dera fosse o "Né, Fausto?" Mas qual é o de (puta) filho, êpa, quero dizer, o de(puta)do imbecil que votou no impeachment, que sabe quem foi Goethe? Ele sabe do foguete que soltou naquela noite da vitória psicopática. Então continuemos a prosa. A lista de assinantes atualizada depois do nefasto passado..... tem passado mais nefasto do que anos a fio de ditadura? Fio do eletrochoque da tortura. Será por acaso que ditadura e tortura rimam? Continuando, depois do nefasto passado dia 17.

E esta lista de assinantes psicanalistas nos conta que depois do dia 17, nós, psicanalistas da Bahia que éramos em torno de 30, subimos para 44. Afinal, todos nós sabemos quem foi Goethe. Estou encaminhando a lista para todos vocês verem e me ajudarem, porque, já disse, não sou boa de conta. Também porque a lista atualizada veio com algumas melhoras que nos atrapalham as contas, mas muito provavelmente nos melhorando os prognósticos. Afinal, todos nós sabemos quem foi Goethe. Né, Fausto? A lista veio agora com um total de 1039 assinaturas. E está sendo enviada a tudo quanto é de deputado e senador. Se não mudarem de opinião, vão tremer nas bases. Porque nós sabemos que o que os faz tremerem é a base. Que viva a base!!!

Então agora, para facilitar, a lista veio em ordem alfabética com a numeração seguindo essa ordem. Deem uma olhada para me ajudar. Pode ser que na verdade sejamos mais do que 44. Fui tateando a numeração pelo reconhecimento dos nomes, porque nesta lista falta a vários deles, a designação do Estado de origem. Se vocês  virem alguém da Bahia, cujo nome eu não reconheci, por favor, me avisem para incluir na nossa lista. Também posso, sem querer, ter pulado algum nome. Trabalhar das 10:00 h da manhã de terça (fui ao consultório) até 8:00 h da manhã de quarta (só vocês, meus companheiros, podem imaginar, quantos abaixo-assinados assinei, quantos textos encaminhei ou publiquei no Facebook, etc e tal. E ainda fui à reunião do Coletivo de Psicologia no CRP, que não houve. A propósito, o pessoal do Coletivo, como eu e alguns colegas pedimos, divulgou na página deles o site do manifesto. Então pode ser que psicólogos não psicanalistas, também tenham assinado a lista. Mas se o fizeram sem a designação do Estado de origem, não pude computar. Psicólogos não psicanalistas só lembro o nome de meus colegas  de turma (1976) e alguns contemporâneos de faculdade. Não seria bacana descobrirmos que psicólogos não psicanalistas resolveram e começaram a assinar o manifesto?) induz a possíveis lapsos. Por mais que o lapso seja da ordem do impossível. Sei que dificultei a compreensão da prosa, fazendo um parêntesis enorme. Peço desculpas. Noite perdida, estou fraca como a gente fica só depois de umas boas trepadas. E não dei nem uma.

Nossa, como trabalhei esta noite!!!  Trabalhadores, do mundo, uni-vos!!!!!!!   A LUTA  CONTINUA!!!! Sem Machado, a não ser, o poeta. Sem armas. Com palavras e atos.
                                                                                   Marcia Myriam Gomes
                                                                              ( Psicóloga, psicanalista)

CARTA  A  MEU  IRMÃO  LUIZ  GERMANO  GOMES, em 03/03/2016 , quando eu me encontrava muito magoada com ele e Lindaura sua mulher, que talvez sem terem noção das consequências, "despacharam" em dezembro passado, nossa mãe, Myriam Urpia, que já há muitos anos vivia com eles, em Maceió, para viver em Aracaju com Sandra, nossa irmã mais velha. Sandra, muito amorosa e generosa, é um pessoa de temperamento um pouco agressivo, coisa com que minha mãe, sendo também muito autoritária, tem muita dificuldade de lidar. Lula sempre foi o filho preferido de minha mãe. Ele e Lindaura, pouco instruídos a esse respeito, não fizeram com minha mãe nenhum preparo emocional para mudança tão traumática. Além disso, na falta de uma certa sensibilidade, disseram a D. Myriam que ela estava sendo transferida para Aracaju porque lá devia morrer. Não contentes com isso, comentaram com ela sobre detalhes mórbidos do seu funeral, a exemplo de que seria vestida por suas colegas de noviciado Carmelita, que seu corpo seria embalsamado para transporte para o Jardim da Saudade em Salvador, lhe entregando para levar a Aracaju o endereço de sua sepultura. Tudo isso foi planejado e efetivado sem que sequer um telefonema tenha sido feito para me consultar a respeito de tão grave decisão. Soube da mesma, por minha própria mãe, que aos prantos me relatou tudo, quando eu fui a Aracaju passar o Natal, julgando que ela estaria lá, somente para as festividades de fim de ano. Estarrecida e preocupada com o fato de minha poder não resistir ao sofrimento a ela infligido, apenas um ano depois de ter sido submetida a uma arriscada mastectomia, tendo sua saúde debilitada por problemas respiratórios graves, resolvi escrever essa carta a Lula, com cópia oculta para amigos e familiares de minha mãe. Queria deixar mais do que claro para todos que eu não fui cúmplice e tampouco comunicada de tão grave e insensível providência.

 Dona Myriam, teve muita dificuldade de se adaptar à rotina de vida na casa de Sandra, onde funciona na sala um salão de beleza com muito barulho de secador e transtorno com o vai e vem de clientes por todo o espaço, sem privacidade e condições materiais de conforto. Além disso, apesar da imensa disponibilidade de Sandra, houve sérios conflitos entre as duas. Desde que se separou de meu pai, minha mãe sempre foi muito independente, senhora de suas decisões. Por sua vez, Sandra sempre foi muito mandona, inclusive às vezes, extrapolando os limites regidos pela sociabilidade. Enfim, não podendo deixar de tomar conhecimento desta dramática situação, finalmente por volta se não me engano de maio de 2016, Lula se compadeceu da situação de minha mãe e atendeu a seu pedido de voltar para Maceió, o que me comunicou por E-mail. Eu, obviamente, agradeci muito. Creio que como sequela do sofrimento pelo qual passou, embora esteja bem melhor emocionalmente de volta a Maceió, minha mãe teve um agravamento irreversível do Mal de Alzheimer com sério prejuízo cognitivo.

Meu muito amado irmão Lula (Luiz Germano),

Como lhe disse recentemente em um desabafo por telefone, de há muitos anos venho bastante magoada com você pelo modo que vem conduzindo o processo de tomada de decisões quanto ao encaminhamento da vida e aos cuidados dispensados à nossa mãezinha Myriam Urpia. Como lhe disse ao telefone, talvez naquele momento sem que eu tenha sabido escolher as melhores palavras, a meu ver, um modo autoritário. Como se sozinho, sem ouvir a opinião de seus irmãos que são filhos do mesmo modo como você, você tivesse o poder de um mandatário de decidir o que é melhor para ela. Um modo exclusivista, deixando excluídos dos processos decisórios da família a mim e a outros irmãos, como se não merecêssemos opinar, devendo ficar à margem como meros conhecidos distantes de D. Myriam. E, o que é pior, um modo discriminatório. Não sei se por sermos desabonadas financeiramente (eu, Sandra e Lilyana) , ao contrário de você, ou por termos, nós, irmãs mulheres, todas três, um histórico de termos vivido no passado episódios de agudo sofrimento psíquico pelo modo como nos foi possível elaborar as enormes dores das nossas histórias de vida das quais não fomos poupadas, pelo menos eu (não posso responder pelas outras), que graças à minha competência e sanidade mental, sou uma psicóloga psicanalista atuante e respeitada pelos meus colegas e pacientes, me sinto discriminada por você que parece desinformadamente, desqualificar os meus méritos para opinar de modo sábio e consequente sobre as decisões tomadas  e a serem tomadas em relação ao destino de nossa mãe Myriam Urpia. Parece que você me coloca numa categoria inferior. Querendo resumir, o fato é que NOSSA mãe mudou-se de Salvador para Aracaju, depois de Aracaju para Maceió, e, agora de Maceió para Aracaju novamente, sem que uma palavra minha sequer tenha sido buscada ou ouvida a respeito.Jamais ouvi de você, um "Marcia, o que você acha?"

Mas, meu querido irmão, tentemos superar as mágoas. Ninguém muda ninguém. Cada um é o que é. Infelizmente, estou certa que você nada refletiu sobre a nossa conversa telefônica, nem vai refletir. No mínimo deve ter pensado: "Que ousadia dessa Marcia!! Como se atreve?" Gosto de você o suficiente para lhe dizer: "deixemos de mágoas". Muito triste por você, acabei de saber do falecimento de um dos seus amados cachorros. Fiquei muito triste, Lula, e quero lhe dar meus condoídos sentimentos. Sei do amor dedicado que você tem pelos seus cachorros. Você sempre foi muito afeito aos animais. Nunca me esqueço de quando minha avó Orminda disse não ser possível a nós mantermos um coelhinho de estimação na casa dela, onde morávamos, nós quatro, você, com todo amor segurando o animalzinho e chorando, fomos desesperados para a esquina esperar nossa mãe chegar do trabalho para darmos destino digno ao coelhinho. Nunca me esqueço disso. Também me lembro de nós juntos numa madrugada batendo na porta do apartamento de meu pai no Edifício Rívoli para darmos socorro ao nosso gatinho. Um animal de estimação, mesmo destituído da fala, compreende muito da nossa linguagem se tornando um ente querido, de valor inestimável. E como dói, meu irmão, perder um ente querido! Não há nada que possa ser posto no lugar. Imagino, Lula, a sua dor. A falta que ele vai fazer no canil quando você for alimentá-los. As recordações, as imagens. Tudo pode doer muito num primeiro momento do seu luto, meu irmão.Por isso lhe pedi que ligasse a Sandra se solidarizando pela perda da grande amiga Mariza. Não pude ir ao funeral de Mariza , mas cancelei meus pacientes para ir à missa de sétimo dia. Era a força que eu podia dar à minha irmã naquela hora de saudade. Eu também perdi um grande amigo em dezembro. Não importa, se pessoa ou animal, mas sim o que significou para a gente. Felizmente você tem Lindaura, fiel companheira, seus filhos e netos para lhe consolar. Conte com meu apoio. Você é meu único irmão homem. Excelente filho, marido, pai e avô.

Mesmo tendo mágoas e me reservando o direito de discordar de você, não precisamos nos tratar como estranhos. Mesmo que me excluam, não me permitirei excluir do laço afetivo que tenho com meus irmãos e a minha família. Somos uma família. Temos uma história em comum onde em muitos momentos fomos solidários uns com os outros. Não me esqueço eu e Lindaura e você fazendo no meu quarto o teste de gravidez de Livinha. Não me esqueço de vocês morando conosco nos primeiros tempos de casados e Lindaura se confidenciando comigo. Lembro de segredos que ela me contou.
Gosto muito de você e Lindaura e serei eternamente grata pelo quanto cuidaram de minha mãe. Na nossa conversa telefônica, embora eu não tenha gostado do modo um tanto hostil com que você se referiu a nossa mãe, sei que ela é uma pessoa não muito fácil e já tivemos muitos conflitos. Mas com a mãe com 83 anos, tendo passado por uma mastectomia e sofrendo do Mal de Alzheimer depois do muito que sofreu na vida, penso que temos que relevar e deixar que prevaleça a ternura. Tenho muito a agradecer a vocês. O modo gentil e hospitaleiro com que me receberam nas vezes que fui a Maceió. Lindaura é excelente anfitriã e não permite que a gente fique pouco à vontade como se fosse visita. Sinto muito carinho por seus filhos e meus sobrinhos netos. Quanto às atitudes suas ou de Lindaura, quem sou eu para julgar?  "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é", diz a música. Cada qual que fique com sua consciência. Cada um de nós faz o melhor que pode e ninguém é melhor que ninguém. Mesmo quando erramos, estivemos tentando fazer o melhor.

Mesmo com dor, tudo pode frutificar em coisas belas. Estou encantada com o poder de superação de nossa mãe expressa em suas pinturas. Ela está se revelando uma artista. Compartilhei no Facebook o trabalho de pintura dela postado por Dani e vários amigos sensíveis  meus elogiaram muito. Com o cuidado de TODOS NÓS, eu e você agora à distância, (eu cuido muito dela por telefone, com uma escuta acolhedora e empática que TENHO CERTEZA é muito importante e necessária para ela e sei que você liga para ela todo dia) a cuidadosa generosidade de Sandra, Alfredo, Graça e Dani que são incansáveis no acolhimento a ela, as coisas vão se ajeitando. Sandra é uma filha muito dedicada e amorosa. Que Deus a abençoe. Sou gratíssima a eles todos em Aracaju. E, tão logo possa, darei um pulinho lá para cuidar de perto da minha mãezinha. Tenho minha advogada que está acompanhando esse processo de mudança de minha mãe. Sei dos meus direitos e não permitirei que NINGUÉM me exclua do amoroso desejo de cuidar da minha mãezinha, mesmo eu tendo que viver em Salvador.Filhos também têm direitos assegurados por LEI e cada vez tenho me inteirado mais disso junto à minha advogada. Não tenho mais 21 como quando meu pai faleceu. Estou atenta e pronta a defender meus direitos caso algum ignorante tente ameaçá-los. Fico contente de saber que você e Sandra  estão se esforçando por se entenderem da melhor forma possível em benefício da nossa mãe. Eu também estou trabalhando em prol do bem estar de minha adorada mãezinha. Sei que vocês não vão esquecer disso jamais. Contam e contem comigo.

Lula, meu querido irmão, conte com minha solidariedade com sua dor. Como psicóloga só posso dizer que ela só passa se for vivida. Tenho torcido pela saúde de Sr. Barreto. Diga isso a Lindaura. No próximo dia 13, seu aniversário, vou lhe telefonar para parabenizar. Não é porque você constituiu uma nova família nuclear, que deixamos de ser uma família. Somos uma família de 4 irmãos que viveram, cresceram, sofreram e se ajudaram juntos. Quando a nossa mãezinha se for  (não consigo pensar nisso sem muita dor e jamais mencionaria com ela a sua morte como uma possibilidade. Seria muito perverso. Ninguém está emocionalmente pronto para ouvir o outro falar da sua morte, muito menos mencionar assuntos de rituais funerários enquanto a pessoa está viva e bem de saúde. Isso conspira contra a natureza humana. Queiramos ou não, sou psicóloga e conheço um pouco desses assuntos) acho que a maior homenagem que podemos fazer a ela é tentarmos nos manter unidos como irmãos que se amam. É importante que você saiba que estou enviando este e-mail para todos os familiares próximos e distantes de minha mãe cujo endereço virtual possuo. Também para amigos dela como o juiz Dr. Justino que foi muito solidário comigo e com ela na época da cirurgia e pessoas nas quais ela confia muito como a minha grande amiga Ana Cecília. Talvez discordemos nisso, mas na minha opinião acho que todas as pessoas que querem bem a Dona Myriam, têm o direito de saber como ela vai, o que tem sido feito da vida dela e como está a dinâmica familiar. Não é muito meu jeito omitir, escamotear, jogar a sujeira pra baixo do tapete. Omitir de irmãos, então, nem se fala. Estou sabendo que é crime. Querido irmão, cuide-se. Busque ser feliz. Seu cachorro deve ter sido muito feliz tendo um dono como você, assim como Mariza foi feliz tendo uma amiga como Sandra. Desculpe se às vezes sou excessivamente sincera. Graças a Deus já me submeti a muitos anos de psicanálise e aprendi que está muito mal da cabeça quem precisa esconder a verdade de seus íntimos e de si mesmo. Estou fora dessa auto-sabotagem. Gosto muito de você e lhe admiro muito.Posso às vezes até sentir raiva de você, mas não desejo lhe diminuir nem excluir de nada. Como todos nós, você tem direito de saber e participar. É um cidadão e merece todo respeito.
                                                                                                     Com amor, sua irmã,
                                                                                                     Marcia Myriam Gomes.
NOTÍCIAS  SOBRE  MYRIAM  URPIA , minha mãe. Também de Sandra Alcoforado (minha irmã mais velha), Luiz Germano Gomes e Lilyana Gomes (a caçula, muito querida por mim)     04/03/2016

Meus amigos mais íntimos que compartilham da minha privacidade e me apoiam nas alegrias e tristezas, amigos de minha mãe que querem muito bem a ela e a apoiaram no difícil momento da mastectomia, familiares próximos e distantes de minha mãe que torcem pelo seu bem estar e se alegram em saber que ela está muito bem cuidada de perto em Aracaju, por Sandra, Alfredo, Graça e Daniela e muito bem cuidada à distância por mim e por Lula, filho dela com quem morou em Maceió até dezembro do ano passado,

Ontem tomei a iniciativa de escrever uma carta e-mail para meu muito amado irmão Lula, em razão do falecimento de um dos seus cachorros. Lula ( Luiz Germano) sempre foi muito apegado a animais e é o filho com quem minha mãe morou em Maceió até dezembro do ano passado, quando foi transferida para Aracaju para viver com Sandra, minha irmã mais velha, sem que eu fosse consultada a respeito dessa decisão. Não fui consultada nem informada da decisão sobre a qual tomei conhecimento através de minha mãezinha quando já estava lá instalada para morar em definitivo. Pensei que ela estava em Aracaju apenas passando uns dias pelo Natal e pelo Ano Novo, quando minha mãezinha muito sentida e traumatizada me informou do fato. Não quero julgar ninguém. Creio que vocês todos sabem que minha mãe está no começo de um processo de Mal de Alzheimer e, embora lúcida e consciente do que lhe acontece a maior parte do tempo, tem lapsos de memória e passa às vezes, por momentos de confusão cognitiva. O anos que viveu em Maceió sob os cuidados de Lula e Lindaura ( minha cunhada) D. Myriam foi muito bem acolhida, nada lhe faltando materialmente e de atenções com sua saúde. Serei eternamente grata a Lula e Lindaura.

Agora está sob os cuidados próximos de Sandra ( minha irmã), Alfredo ( meu cunhado), Graça ( amiga íntima de Sandra que a ajuda nos cuidados a minha mãe) Daniela e outros netos que embora não vivam na casa, estão em Aracaju e são muito amorosos com minha mãe. Sou infinitamente grata a Sandra e aos demais pela imensa dedicação amorosa a minha mãe. Eles têm sido incansáveis no carinho, paciência, dedicação e esforço físico no cuidado à minha mãezinha. Cuidar de uma senhora de 83 anos com a saúde debilitada (a exemplo de asma, depressão e Mal de Alzheimer) dá muito trabalho.Eu, embora em Salvador, tenho também cuidado muito de minha mãe, lhe telefonando duas vezes por dia com uma escuta acolhedora que minha profissão de psicóloga facilita. Pretendo visitá-la em Aracaju sempre que possível. Lula e Lindaura , embora à distância, continuam muito acolhedores com ela.

Sei que como pessoas sensatas e bem informadas vocês sabem que dificilmente processos familiares são vividos sem tensões e certos problemas na comunicação de seus membros. Desejosa de que vocês tenham conhecimento de como está minha mãe e de como está a dinâmica de relacionamento entre seus filhos que muito a amam, e considerando que como pessoas próximas a mim e a D. Myriam vocês têm todo o direito de saber o que se passa com nossa família, sob a minha visão e leitura, ( não posso nem devo responder pela visão dos demais) achei que valeria a pena encaminhar a vocês com cópia oculta a carta que escrevi a meu querido irmão Lula, em condolências pelo falecimento de seu cachorro. Peço desculpas a vocês se com essa iniciativa cometi alguma inconveniência.
                                                                       Um beijo muito grato,
                                                                        Marcia Myriam Gomes.
É  TUDO  O  QUE  PENSO  E  SINTO  -  Antônio Virgílio B. Bastos -- Professor Titular do Instituto de Psicologia da UFBA e Pesquisador do CNPq.
04/03/2016

Somos todos Lula.

Não adianta querer prender e arrebentar o presidente Lula achando que vão destruí-lo. Já o prenderam na ditadura e a ditadura caiu. O apartheid na África do Sul prendeu Nelson Mandela e caiu.

Lula nem pertence mais só a sua própria pessoa. Ele representa um projeto popular nacional. Lula é o fim da fome, o fim da miséria no Brasil, é o projeto nacional de um país de todos, da igualdade racial, da justiça social, de melhores salários e melhores aposentadorias, de crianças na escola e jovens na universidade, de médicos para todos, de moradia decente para todos, de mais direitos para todos, da participação popular nos destinos da nação, do Brasil potência. Mas potência popular com as riquezas ficando para todo o povo brasileiro.

Por isso somos todos Lula. Lutamos por ele, sobretudo, porque Lula é quem melhor teve e tem a capacidade de liderar esse projeto. Mas lutamos também porque é covardia o que estão fazendo com ele.

E não venham com mentiras contra Lula, porque quem dera todo político fosse honesto como ele. Foi, possivelmente, o presidente que saiu com menor patrimônio da presidência. Ganhou dinheiro sim, mas legitimamente, depois de deixar a presidência, com palestas.

Seus filhos são pequenos empresários. Não foram nomeados diretores de estatal como um jovem Aécio Neves recém-formado foi nomeado diretor da Caixa no governo Sarney. Não viraram diretor de banco privatizado pelo pai, como ocorreu com o filho de Alckmin. Não ganharam concessões públicas de TV nem de lavra de mineração. Não foram funcionários fantasmas em gabinetes de senadores. Não viraram sócios de bilionários como a filha de José Serra.

E Lula criou um Instituto voltado para cooperação do Brasil com a África e a América Latina. Se tivesse criado um instituto picareta para defender o cartel da imprensa ou dos bancos ou da geopolítica estadunidense estava tudo "certo". Mas defender a integração com pretos e "cucarachos"? Ah... isso só pode ser crime na cabeça dos coxinhas doentes, racistas e preconceituosos.

É injustiça e covardia o que estão fazendo com Lula, por isso temos que defendê-lo e não podemos nos omitir.

Não adianta quererem destruí-lo para entregar o pré-sal a estrangeiros, e também para o mercado financeiro globalizado e corrupto nos escravizar. E para o "B" sair dos BRICS e virar colônia econômica dos EUA. Porque vamos derrubar esse entreguismo e servilismo. Somos todos Lula.

   ATO  PARA  MARCUS  VINÍCIUS  17/02/2016

Caras (os) amigas (os) e colegas,

Provavelmente vários de vocês souberam da atrocidade cometida contra Marcus Vinícius. Seu assassinato quase certamente em uma emboscada. Marcus Vinícius era psicólogo, colega de muitos de nós, e professor aposentado da UFBA. Era uma pessoa muito consciente dos dilemas de seu tempo, empenhado em defender a inclusão social daqueles classificados como "portadores de transtornos psiquiátricos", lutando contra a força devoradora da indústria farmacêutica fortemente aliada ao capital, e interessada na existência de hospitais  encarregados do confinamento de pacientes. Atuou incansavelmente no movimento Luta Antimanicomial. Teve um papel muito importante na formação de psicólogos esclarecidos e preocupados com as repercussões das suas ações na sociedade. Vivia cercado de muitos jovens que queriam aprender com ele e que de certa forma o tomavam como modelo. Atualmente estava envolvido num trabalho de demarcação de terras com comunidades carentes. Numa espécie de "ironia do destino", na semana do carnaval, quando o povão que ele defendia ardorosamente, se comprimia se machucando nas cordas dos blocos que pelos preços extorsivos só admitem privilegiados, Marcus Vinícius foi cruel e perversamente assassinado.

Contudo, o legado deixado por ele não pode ser exterminado. No desejo de preservá-lo,  de manter conosco a memória de Marcus Vinícius e clamando por justiça no esclarecimento do crime e punição dos culpados, será realizado um Ato em sua homenagem. Data: 18/02 amanhã, quinta-feira. Hora: 17:00 h Local: Salão Nobre do Palácio da Reitoria da UFBA. 
                                                                                            Um abraço,
                                                                                                Marcia Gomes. 
Mensagem muito íntima a Ana Cecília, minha melhor amiga sobre alguns mal entendidos naturais, entre nós todos, seres de linguagem. O desarranjo linguageiro aconteceu quando tratávamos de Ana Helena, outra amiga queridíssima, com quem infelizmente não disponho do recurso poético que disponho com Ana Cecília e que amortiza nossas questões de relacionamento. Felizmente, entre as três o afeto e a confiança prevalecem, acima de tudo. Data da mensagem: 14/02/16 

Por favor, não sinta muito por tudo isso. Na minha opinião não existe intersubjetividade. Então não é possível haver "comum nicação". Seres falantes, estamos sempre a tropeçar nos malentendidos os quais não vejo como necessariamente maus. Não acho possível sermos cem por cento bem entendidos. É o preço que pagamos por estarmos imersos no mundo da linguagem. "A palavra mata a coisa", diz Lacan. A tal realidade dos fatos tão cara aos behavioristas e cognitivistas, está perdida para sempre. Quanto aos malentendidos ( não é possível haver bem entendido cem por cento) se podemos falar sobre eles, podemos também crescer com eles. Que ótimo nos liberarmos da ilusão quanto a mudar o mundo, pessoas e muito menos interpretações. Aliás, não gosto muito desta palavra. Ela parece sugerir que há um mundo objetivo da realidade, sobre o qual interpretamos mais ou menos fidedignamente. Quanto mais fidedignos, mais corretos cognitivamente. Acho tudo isso uma grande bobagem que parece nos fazer cultivar nostalgia quando nos sentimos incompreendidos nas nossas verdades. Para mim, vivemos imersos inevitavelmente nas nossas leituras e ficções. Por isso, na minha opinião, se queremos estar com o outro precisamos esclarecer de vez em quando sob pena de sucumbirmos numa torre de Babel. Esclarecer para mim não significa buscar a verdade dos fatos, inalcançável, mas se aproximar um pouco mais da ficção de cada um para respeitá-la. Fico muito grata por você tentar dizer para mim de qual é a sua ficção quanto ao episódio "telefonema meu a Ana Helena". Isso apazigua, e a mim me ajuda muito a sem mágoas dar o assunto por encerrado. Penso que publicar escritos do silêncio sem guardá-los a sete chaves, é de certa forma querer contar ao outro sobre as suas ficções.Felizmente você é uma poeta de estatura e assim se permite se deixar devassar pelo outro nos seus redutos. Do contrário, seria uma esquizofrênica. Desculpe o uso dessa palavra tão estigmatizada e usada mesmo muitas vezes como xingamento, acusação ao outro. Não achei outra melhor agora nesse momento. Eu, infelizmente não sou escritora. Então preciso falar quando o copo está cheio. O bonito disso tudo ao meu ver é que como disse Freud a poesia antecipa a psicanálise e ambas têm muito em comum. Penso que talvez seja um pouco ingênuo se ressentir com o que inevitavelmente faz parte da nossa constituição como sujeito: o equívoco, o titubeio, o mal dizer. Para mim essas coisas são preciosos e bonitos instrumentos de trabalho.

O que é isso, menina? Eu, lhe dando oportunidade de divulgar seus escritos? Pirou de vez? Quem sou eu? Só lhe perguntei se conhece o negócio da Fundação Cultural porque Fátima mencionou e eu não conheço, para usarmos na obra de Boinha. Não lhe aconselhei como escritora. Lhe consultei como escritora. Tá vendo como as vezes é bom e necessário esclarecer para o outro sobre quais são as nossas ficções? Por absoluta burrice tecnológica, não tenho como lhe enviar o poema de Niltinho. Seria inconveniente para você ficar amiga dele no Face? Adoraria dar uma passadinha no evento "Poesia em Família". Tomara que eu possa. Da minha parte estou satisfeita com o que conseguimos e podemos dar um ponto final na conversação penosa sobre eu, você e Ana Helena. De resto e o que importa é que gosto muitíssimo de você. Bom domingo.
                                                                                                                            Um beijo,
                                                                                                                                    Marcia.