sábado, 3 de setembro de 2016


Subject: "Blá, blá, blá domingueiro..." e... Mintocó (2).
Date: Sun, 17 Jul 2016 04:00:30 +0000


Continuando os preâmbulos (será que nunca vou chegar aos finalmentes e dizer de Mintocó?)....parece que muita mulher é chegada às preliminares. Será para melhor lubrificar? Conheço gente que lubrifica só de ouvir a voz. Conheço gente que lubrifica só de ouvir o discurso. Conheço gente que lubrifica só de ouvir um virar de maçaneta. Conheço gente que lubrifica só de ler a letra. Conheço gente que lubri fica.  Labri, lebri, libri, lobri, lubri.

 Uma vez me levaram a uma vidente, talvez de umbanda, banda me lembra a conversa de través, travessia, "quando você foi embora, fez-se noite em meu viver. Forte eu sou mas não tem jeito, hoje eu tenho que chorar, minha casa não é minha", não parece minha essa casa com desenho de criança emoldurado na parede, "regalo" recusado, porque, como diz o povo, "ninguém merece". Conversa de través de banda de Moébius. Banda, benda, binda, bonda, bunda. Bunda fora do lugar. Porque o lugar não me pertence. Já viram, o povo do interior, dizer "isso não lhe pertence", no sentido de dizer "não é da sua conta"? Pior, quando é da minha conta e não tem como pagar, senão com libra de carne. Muito frequente.

 Além de muito inteligente, minha empregada é sensível e tem senso de humor. Metaforiza que é uma beleza. Me perguntou há dias: "Tá chorando, por que Dona Marcia?" Eu lhe confidenciei: "Aconteceu isso." Ela disse: "Não disse à senhora que aquilo não ia prestar? Aposto que foi depois daquela conversa. Aquela conversa custou caro, não é? (Sorrindo) e do jeito que a senhora está sem dinheiro...." Com essa, até parei de chorar.

Tenho empregada (obrigada, querida Ana Cecília, minha melhor amiga e não por acaso, poeta. Sendo poeta, é muito distraída, mas ao invés de se DISTRAIR, no sentido do frívolo entretenimento, prefere EXTRAIR escritos do silêncio. E graças ao Deus que ela acredita, ouve meus escritos, talvez traídos pelo silêncio que muitas vezes não sei fazer, sem prestar a mínima atenção ao enredo, ao conteúdo. Denise, outra delicadeza na sensibilidade, também parece fazer assim. E tem mais. Me chama de "pró". Não por ter sido minha aluna na Ufba. E foi. Mas por eu não ser mais professora de ninguém na Ufba. Ainda bem que na Ufba tem Denise.), para me des trair. Usufruir da fidelidade. Nada de fidelidade da empregada à patroa, nos moldes que gostam algumas pessoas. É fidelidade ao que ouve. Também ao que houve. Cozinha que é uma lástima. Mas cuida da orquídea com a dedicação de quem sabe que ela tem que sobreviver, pelo menos até que o remetente apareça. E quando atende o telefone e o outro do outro lado, fica longamente mudo, ela diz: "Foi ele, Dona Marcia." "Ele, quem?" "O da frô. Pena que a senhora não tenha Bina."

 Devo ser uma paranoica de carteirinha. Porque fujo quilômetros de tudo que sugere perseguição. Deus, que eu não acredito, me livre de ficar vigiando quem me telefona, com esse tal de Bina. Me livre de entrar no Facebook para fiscalizar o que "não me pertence". De procurar saber o que não me é livremente dito. É claro, há sempre situações extremas, quando se trata da gente se proteger. Mas o que é de praxe, é achar muito feio se enveredar pela intimidade amorosa do outro, ainda mais em presença de desconhecidos. Às vezes, cometo alguns equívocos. Tipo pensar que eu e outro somos amigos o suficiente para tratar dessas coisas. Mas, sendo equívoco, bato em retirada. E estou fora, definitivamente.

 Deve ser por ossos do ofício. E não é que é do ofício, ficar chupando os ossos enquanto o outro come o peito do frango? É esse tal lugar de dejeto. Mas deixe lá, que ficar nesse lugar fora da "intenção", (o exercício da clínica psicanalítica se chama "análise em intenção" e diz-se na teoria, que num final de análise o analista fica em lugar de dejeto) manter-se merda do lado de cá fora, é meio masô, né não? Vai ver, que também de carteirinha, sou uma sádica.Aprendi com a cadeia borromeana que etimologicamente sádico tem a ver com sapo.

 No jardim da casa onde morei, que pertencia a minha avó, cabocla quase índia, que foi pegada a cachorro (caçada no mato por cães perdigueiros para ser trazida à cidade e casar com meu avô paterno), havia sapos coaxando e nos fazendo pensar com imaginação de criança, que eles com pontaria certeira lançariam um líquido venenoso nos nossos olhos e nos cegariam. Vai ver, havia algum desejo inconsciente de nada ver ("Isso não tem nada a ver. É pura imaginação sua ficar pensando que viu os enfermeiros do Juliano botarem camisa de força na sua tia Zezita. Isso não tem nada a ver"). Desejo inconsciente de quem? Quem contou que sapo cega? Eu nem precisei de sapo. Aos 5 anos de idade já usava 6 graus de miopia. Nada a ver. Não via, mas, ou, via?

Sim, mas em que pé ficou, a história da vidente da umbanda? É só pra rimar com lubri. Na ocasião, eu, aqui de férias, estava apaixonada por um homem em São Paulo, história de amor cheia de interdições como de Abelardo e Heloísa. Abel, ardo!! Hello, Isa!!  Estou só brincando com essa mania esquisita, um tanto esquize, de fraturar as palavras. Mas o verdadeiro nome dela, a que ficou com o peito de frango, era Matilde. Nome horroroso. De atenuante, somente, ser nome da filha de Freud. Então a vidente me disse que se eu quisesse saber se eu ficaria com ele, jogasse uma rosa "rubri" (aí está a rima com lubri) ao mar. Se a rosa não voltasse, era certo. Eu viveria na feliz cidade. A rosa jamais retornou. Quem retornou foi eu, de São Paulo a Salvador. Com puta dor, escrevi à mão, a "história de perdidos retornos."

Tenho aqui em casa uma amiga hospedada. Hóspede maravilhosa. Amiga? Nem se fala. Hoje vamos juntas visitar a sepultura do nosso amigo poeta Boaventura. Também é dia do aniversário de meu pai. Faria 87 anos. Com certeza, vou lhe colocar no túmulo várias rosas "rubri". Tanto quanto Boaventura, e de modo bem diverso, de verso, meu pai era afeito a paixões. Não por acaso, adorava rosas vermelhas. Vamos, de maneira simbólica, exercer nosso amor por pessoas queridas e idas, contra nossa vontade. Idas para onde? Para lugar algum, senão o lugar que ocuparam nesse mundo de linguagem. Será que o legado deixado por esses dois fala seres, (como falavam bem!!) transcende a morte? Só perguntando à cadeia borromeana o que disso pensa. Isso pensa. "Isso fala". Mas não vamos só visitar túmulos. Vamos ver "Julieta" de Almodóvar, sem Romeu. Será? Eu meio que duvido. Almodóvar é danado caído por um nome de propósito. Nem que seja por pura ironia. E vamos também almoçar no bairro de Santo Antônio. 

Pois é, a minha amiga hóspede, com seu celular possante, descobriu que a orquídea do misterioso remetente (que palavra libidinosa e reincidente!) se chama "chuva de ouro". Será que o ré metente, sabe da minha obsessão por nomes? E por nomes de flor? Penso logo em fogos de artifício. Coisa pra criança brincar em noite de São João. Lá se foi o erotismo. Ou esse ouro é pra rimar com touro? Ouro, tesouro, tesão, Teseu, labirinto, minotauro, Ariadne, Julio Cortázar.? Nada a ver. O que primeiro vem à cabeça com uma intervenção por demais contundente. Nada a ver. E onde ficaria a chuva? Prefiro o delicado erotismo da orquídea que não tinha nome. "Anônima", me parece um bonito nome de flor.

 "Minha flor minha flor minha flor. Minha prímula meu pelargônio meu gladíolo meu botão-de-ouro. Minha peônia. Minha cinerária minha calêndula minha boca-de-leão. Minha gérbera. Minha clívia. Meu cimbídio. Flor flor flor. Floramarílis. Floranêmona. Florazálea. Clematite minha. Catléia delfínio estrelítzia. Minha hotensegerânea. Ah, meu nenúfar. Rododentro e crisântemo e junquilho meus. Meu ciclâmen. Macieira-minha-do-japão. Calceolária minha. Daliabegônia minha. Forsitiaíris tuliparrosa minhas. Violeta... Amor-mais-que-perfeito. Minha urze. Meu cravo-pessoal-de-defunto. Minha corola sem cor e nome no chão de minha morte." (Declaração de Amor - Carlos Drummond de Andrade). Também poderia ter "Meu repolho".

Não quero dar aula de erotismo ao infeliz remetente. Pra rimar, só lhe digo, o que me disse uma vez um infeliz paciente: "Não posso continuar casado com uma mulher que quer ser emprenhada pelo ouvido." Vai ver, por isso, eu continuo solteira. Afinal, não por acaso eu sou Marcia sem acento. Como bem diz a letra, mesmo que tenha sido um lapso, m a  ma  c i   ci  a.

A Mintocó que inventei, me dói, me mói como à cana para fazer caldo com pastel de palmito no Largo de Pinheiros. Me dói, me mói, me rói como o rato às entranhas da dama e do pai do homem. Só digo que na minha criação o nome é um neologismo supostamente inventado pelo pai também de Telebrevindas. E de Doutor Bederodes, Especialista em Doenças de Cabras e Bodes. E de Sandreira de Oliveira Júnior. Esse último, menos criativo, machista e passando por complicadas questões tocantes às fórmulas da sexuação. Afinal, esse pai, segundo inventei, chegou na maternidade, abriu a fralda da criança, viu que era mulher e saiu dando as costas emputecido. Então, vamos deixar "queto". Por enquanto nos mantemos na tal da autobiografia. Afinal, ficção acaba por ser a resposta dos que têm coragem de arcar com a dor sem infligi-la ao outro. Não é qualquer um que suporta trocar 1959 por "Sagrada Família". E não venha a cadeia borromeana me dar pressa dizendo que o tempo passa. Porque borromeanamente o que passa é o que fica. Fica pra próxima.
                                                                                                                     Marcia Myriam Gomes.
                                                                                                    


Subject: "Blá, blá, blá domingueiro...." e.... Mintocó.
Date: Mon, 11 Jul 2016 03:53:10 +0000


Preâmbulos: Orquídea, rito, repolho, 1959, ladrilhos. Cadeia borromeana. Malha, tecido, teia. Aranha tecedeira, embaralho palavras e as deformo com minhas lágrimas, querendo transformá-las em meros efeitos fônicos. " Love is a many splendour thing". Quem não conhece essa canção? Meu Inglês está atrofiado, mas não a ponto dela esquecer. Suplício de uma saudade. Quem não conhece esse filme? Se não fosse o suplício de uma saudade, ou seu prenúncio, diria que tive uma ótima semana. Quem sabe até feliz? Será a saudade um fenômeno atrelado à geografia que os tempos internéticos não dão conta? Ou atrelado à passagem do tempo? Se não respondo, fico sem saber de quem estou com saudade.

 Sonhei com palavras. Mas isso não é para contar aqui. Passei o fim de semana todo em casa, trocando palavras, literalmente. Uma palavra em troca da outra. Faz todo o sentido trocar "Sagrada Família" por 1959. Aí o milagre se dá de passar um fim de semana em troca. Conversa muito cifrada, não é? Depende de quem ouve. Depende do que houve. Depende de quem houve. Houve alguém.

 Também houve outro alguém.Outro alguém que não sabendo que costumo não trabalhar às sextas-feiras, mandou deixar no meu consultório um lindo vaso de orquídeas amarelas sem nome do remetente, exatamente na sexta. Por acaso eu estava lá e trouxe o vaso pra casa. Que sorte!! Orquídea, de erotismo tão delicado, correr o risco de encontrar porta fechada? Não se fecha a porta a erotismo tão delicado. A menos que se seja uma histérica com um pai do tamanho de um avião. Melhor não seria transformá-lo num mero aeromodelo, e assim poder descobrir quem foi o remetente?

 Êpa, essa conversa está muito ex-pirada. Eu também. Ex-pirada graças à cadeia borromeana. Também ao sonho. Então falemos de felicidade. Nisso não acredito. Melhor feliz cidade. Minha Paulicéia. Se depender da cadeia borromeana, logo, logo, vou lá. Pois é. Estou saudável como uma égua. Por falar em égua, será que não vou dar trégua ao erotismo? Tem algo mais cioso do que uma égua? Fiz milhares exames médicos e estou super saudável. Todas as taxas norrmalíssimas. Não sou mais diabética. Minha hemoglobina glicada, que mede a glicemia nos últimos quatro meses está totalmente normal. Não tomo mais insulina, nem remédio de estômago. Só um anti ácido de vez em quando quando carrego nas tintas. Tenho preferido carregar nas tintas da maquiagem, desobedecendo ao pai.

 Não sendo mais diabética, chupo muita bala de mel e como brigadeiro. Estou uma chupadeira. Ganhei de uma pessoa um pirulito de mel. Chupei. Êpa, que oralidade é essa? Será não ter com quem falar? Será não ter com quem felar? Êpa, confundir falação com felação é meio topológico, né não? Parece que perdi o freio da língua. Parece que tudo falo. Parece que tudo é falo? Sendo eu mulher, nem tudo. Não toda. Estou emagrecendo comendo brigadeiro e sem estar doente. Ah, cadeia danada!! Parece que estou encadeada. Vejam bem, não é cadeado de cinto de castidade. Será que já cheguei na casta idade? Quando se trata de cadeia, não tem idade, só tem sujeito.

Gente, aconteceu a FLIP em homenagem a Ana Cristina Cézar. Por que poesia tem que rimar com melancolia? Por que Ana não preferiu ficar no insucesso do ato de fazer poesia e poder aparecer ao vivo na Flip? O que vou fazer na Flip se Ana passou ao ato? Não vejo graça em brincar com esse fato. Melhor embaralhar palavras, deformá-las com muitas lágrimas e muito entristecer porque Ana não teve chance de experimentar a cadeia. Palavra é um barato. Custou muito caro a Ana.

 Às vezes custa caro. Felizmente a cadeia é generosa. Que diabo de cadeia é essa cheia de bons atributos? Não é bem assim. É só porque não dá pra ver o avesso e o direito. É um mero artifício. Arte e ofício. Ofício, sina, oficina.Sou chegada a um porteiro da noite. Isso não é um nome de um filme? Um negócio de uma relação sado-masoquista entre torturador e uma torturada. Êpa, não é nada disso. Lembram do Sr. Josenilton, o filósofo, e o seu lindo discurso sobre Ariano Suassuna? É o porteiro da noite de lá do meu trabalho. Nunca lamentei tanto parecer acometida de algo como Mal de Alzheimer. Não é que perdi o conto do Sr. Josenilton? Ele escreveu um conto e me deu pra ler. Eu perdi o conto. Não consigo achar em lugar algum aqui em casa.

. Pior do que isso é a cadeia dar por desaparecida a história de perdidos retornos. Cadeia toma tudo ao pé da letra. Trabalha com a Letra. E eu que me estrepe com a história perdida que não retorna. E agora, o que vou dizer ao Sr. Josenilton? Ele não sabe o que é lapso, muito menos Mal de Alzheimer.

 Tem também o Sr. Reginaldo. O porteiro da noite do prédio onde moro. Será que vai rolar história de outra coisa perdida? Pior que vai. Psicanalista tem mania de falar em perda. Se vocês souberem o que perdi....Como não tem avesso nem direito, uma perda pode ser um ganho. Minha gente, foi como ganhar na Mega-Sena. Que o que? Tem dinheiro que compre sensibilidade? Mas vou guardar a surpresa para o final. Primeiro preciso contar que continuo ganhando presentes de aniversário. Até parece que está escrito na testa que estou virando do avesso. Felizmente é só um artifício. Só uma questão de por onde a formiga está andando.

 Um amigo querido me deu creme de cupuaçu para passar no corpo. Será afrodisíaco? Minha melhor amiga me deu um livro de meu amado valter hugo mãe. É. Nome próprio em letra minúscula. Nem conto a vocês o desaforo que me fizeram com esse assunto de nome próprio. Será que o valter, com essa letra minúscula, tem alguma questão com o tamanho do pinto? Não importa. Seu pinto não me interessa. Me interessa que a dedicatória da minha melhor amiga é linda e a capa do livro é um arraso de beleza. Quando digo que está escrito na testa que estou curtindo beleza...

 Já contei pra vocês que tenho um modo marciano de ler? Primeiro eu ouço o livro. Me ligo na arrumação sonora das palavras. Depois cuido do enredo. Quando me autorizei psicanalista, já quase aos 50 anos, fiquei me cagando de medo de morrer sem ter ouvido toda a obra de Lacan. Então, cada semana, pegava um seminário emprestado e devolvia na outra. A pessoa que me emprestava ficava pirada. "Você leu um seminário de uma semana pra outra?" Eu sou maluca mas não a ponto de dizer que ouço livro. Então respondia como quem não quer nada: "Não, foi só para fazer uma leitura dinâmica." Ouvi quase todos.

 Duas amigas queridas me deram um sapato preto. Não é que eu estava precisando de um sapato e preto? Êpa, lá vem o erotismo. Sapato lembra fetiche e fetiche lembra André Gide. Já houve tempo que adorei ler esse cara. "Os Frutos da Terra". Será esse o nome? Muito lindo.

 E.... a história está chegando no fim. Preciso preparar um ápice. Êpa, não tem uma história de que chegar ao orgasmo é chegar ao ápice? Imaginem! "Chegou ao ápice, meu bem?" Totalmente broxante pra quem gosta de palavras. Nesse eu não chego, nem com um parceiro que não seja essa coca-cola toda. Porque se for coca-cola, coisa que adoro, admiro, respeito, aí então não chego com ápice ou sem ápice. Saio correndo Ladeira da Barra abaixo. 

Chega de confidências. Vamos à história linda, maravilhosa. Ganhei de uma pessoa que me conhece até virada do avesso porque tem um sensibilímetro, adivinhem!!! Isso mesmo. A obra completa dos contos de Clarice Lispector. Quase desmaio. Cheguei no Espaço Moebius com esse livro na mão me sentindo uma rainha. Quando eu pensava em chegar em casa e ler "Amor", quase fazia xixi nas calças de tanta felicidade. Pois é. Cheguei tarde e cansada em casa.

 Dia seguinte, levei o livro para o consultório. Pensei que levei.  Mal de Alzheimer, medo de ser feliz, auto-punição porque desejo o homem que amo, a puta que pariu. Esqueci o livro no táxi. Não tenho a menor inteligência para coisas práticas.  E cadê Jovita, pra me dizer o que fazer? Entrei em pânico. PÂNICO. Entrei na lanchonete do meu consultório arrasada. Contei o ocorrido a meu amigo Gilmar que fez as vezes de Jovita: "Dra. Marcia, não foi o teletáxi? Ligue pra lá depressa, diga que horas pegou o táxi, qual foi o destino." Viva a inteligência dos menos favorecidos. Não deu outra. Localizaram o motorista, que só então lembrei que é meu amigo, e ele disse que achou, estava próximo de minha casa e levaria lá, entregando ao porteiro. Ufa!!! Será que atendi direito meus pacientes? Não sei não.

Cheguei em casa ofegante. Minha gente, ser sensível é o maior de todos os baratos. Mesmo porque, como a poesia, não custa nada. Por isso, estou cagando e andando pra quem repara na pobreza de minha casa e diz que prefere não voltar aqui. Estou cagando e andando para quem dá desculpa para não me visitar. Quando o Sr. Reginaldo me avistou no portão, abriu um sorriso largo: "adivinhe o que tem aqui para a senhora?" Então pensei: "o motorista contou o caso a ele". Era muito, mas muito melhor que isso, muito!!  Sr. Reginaldo me entregou o livro e disse: (já comecei a chorar) "Dona Marcia, Clarice Lispector!! Quando vi esse nome nesse livro, liguei logo para minha filha, na maior alegria. É que no domingo passado eu e ela assistimos (pasmem!!) no canal Arte 1 um programa com Chico, Caetano, Betânia, em homenagem a essa escritora e ficamos com muita vontade de conhecê-la. Já liguei pra minha filha dizendo a ela que tenho esse livro da senhora na mão."

 O porteiro da noite. Que coisa linda!!! Nem consegui disfarçar o choro. Somente disse:" Sr. Reginaldo, muito obrigada!! O senhor é um homem muito especial e está me dando um presente mais bonito do que este livro. Quando eu acabar de ler vou emprestar ao senhor e à sua filha. "  Ele respondeu: "Não, é melhor não, Dona Marcia, a síndica pode não gostar". Aos prantos, respondi: "a gente enfrenta a síndica." Ao que ele disse, emocionado: "Não chore não, Dona Marcia, o livro já está em suas mãos". Eu malucamente, como se  fosse Clarice, respondi : "Eu estou chorando porque o senhor parece um cego mascando chiclete". Ele me olhou, perplexo. Eu respondi: "Esse é o assunto de um conto dela que se chama "AMOR". Ele, sorrindo: "Ah, esse eu vou querer ler. Aceito que a senhora me empreste".

Pelo avançado da hora, vejo que já é segunda-feira e só agora acabo de escrever o "Blá, blá, blá.... " e nem contei a vocês quem é Mintocó. É uma personagem de ficção. Fica para o próximo domingo. Agora estou com mania de deixar vocês no suspense. Quando vou poder deixar de contar histórias autobiográficas? Mas essa foi linda, não foi não?
                                                                                            Marcia Myriam Gomes.

07/07/2016  AGRADECIMENTO - INFORME SOBRE COMO  AS PESSOAS RECEBERAM E RESPONDERAM À MINHA ANTERIOR CONSULTA COM PEDIDO DE RESPOSTA  (Noto que há nesses textos uma talvez inadequada insistência minha em falar, provavelmente com ressentimento, das posturas as quais chamo 
de procedimento behaviorista de "dar extinção", em geral características de alguns colegas psicanalistas que, ao meu ver, confundindo o que é do âmbito da
análise em intensão com o que não cabe na análise em extensão, praticam numa "psicanálise selvagem", intervenções tipo CORTE, sempre que se sentem desconfortáveis, constrangidos, ameaçados, invadidos, etc, particularmente quando deles divergimos. Embora a fala seja o carro chefe do pensar psicanalítico,parece haver no convívio social dos psicanalistas, o que me parece um tanto contraditório, uma etiqueta velada subreptícia, de que não é muito bem visto as pessoas falarem espontaneamente, sem fazer "intervenções", sobre o que pensam, como se sentem, com o que concordam ou discordam, etc.
Parece que esta é entre alguns uma prática muito enraizada que faço questão de não aprender nem adotar com ninguém, mas certamente vou ter que saber
lidar sabendo fazer, quando a adotarem comigo. Parabenizo o psicanalista Aurélio Souza, que sendo socialmente muito educado e gentil, consegue ser muito
espontâneo nesse âmbito, enquanto parece saber ser extremamente rigoroso no bom sentido, quando exerce a análise  em intensão (clínica, consultório, divã).

Olá, amigas (os), colegas psicólogas (os), psicanalistas e companheiros na luta por um Brasil democrático, com igualdade de oportunidades para todos,

Há dias atrás, enviei para toda a minha lista de contatos (umas 300 pessoas mais ou menos), um informe intitulado CONSULTA COM PEDIDO DE RESPOSTA, onde pedia, por gentileza, que as pessoas se posicionassem, dizendo se preferiam não mais receber de mim, textos, informes, etc, de teor político, e/ou a crônica que escrevo aos domingos (ultimamente não tem sido muito regular) intitulada  "Blá, blá, blá domingueiro....".

Fiz esse pedido, porque além de haver recebido solicitações de uns 4 ou 5 colegas psicanalistas, algumas delicadas e outras nem tanto, e de mais umas 3 pessoas não psicanalistas, para serem retiradas da minha lista de contatos, o que passei a atender imediatamente, observei em algumas pessoas, em geral dos meios psicanalíticos, mas não só, algumas atitudes um tanto desagradáveis para mim, de uma certa forma excludentes, interagindo comigo de modo muito formal, ou mesmo com uma certa hostilidade velada, a exemplo de parecer fingir não ter me visto, virar as costas quando eu me aproximo, etc, diferente do que faziam antes do atual momento político que estamos vivendo e de eu explicitar de um modo talvez por demais contundente, a minha posição política frente aos acontecimentos. Confesso que tais atitudes partindo de pessoas com as quais procuro manter uma relação de coleguismo muito cordial ou mesmo de amizade, me machucaram.

Além de ficar machucada, também pude refletir, que, talvez, ao contrário do que eu penso sobre liberdade de expressão, algumas pessoas da lista, com todo o direito, poderiam estar se sentindo desrespeitadas no seu modo de pensar e funcionar, particularmente em relação à questão política, ao receberem informes, textos, avisos, etc, defendendo uma posição contrária  à delas. Quero deixar claro mais uma vez (penso que já está claro no texto anterior) que a posição política que defendo também por ocupar o lugar de analista, eu estou assumindo como minha e para minha vida exclusivamente. Longe de mim julgar as escolhas do outro, ou mesmo recomendar que assumam essa ou aquela posição. Se ao ler meu texto anterior, alguém sentiu assim, ou interpretou assim, peço que me desculpe. Sabemos que a linguagem, particularmente escrita, é fonte de mal entendidos. De mais a mais, reconheço que às vezes, ao veicular alguma informação, posso escrever de modo por demais contundente, gerando no outro uma certa indisposição.

Como retorno à minha consulta com pedido de resposta, inúmeras pessoas, muitas mesmo, além da minha expectativa, em geral com as quais mantenho um relacionamento mais próximo e/ou tenho uma certa identidade de posições políticas, mas não só, (várias pessoas que eu não conheço também se posicionaram do mesmo modo), responderam de modo muito carinhoso e sensível, se posicionando a favor de que eu continue a enviar os informes políticos e a crônica de domingo. Muitas pessoas me elogiaram pela coragem de explicitar minha posição política e lutar em sua defesa. Outras muitas disseram do seu prazer em ler a crônica, pela qual já esperam todo domingo. Muita gente, com muito carinho por mim, disse que eu escrevo bem e devo buscar publicar. Acho que é bondade desse pessoal. Escrevo por necessidade visceral, mas sei que não passo de uma amadora. Fico muito grata e comovida. Creio que todos nós precisamos de um pouco de reconhecimento por parte do outro, além do prazer e senso de dever intrínsecos ao que faz.

Uma colega psiquiatra e psicanalista a quem considero amiga e tem posição política diferente da minha, escreveu uma resposta contundente, de quem ficou chateada com o que eu disse no texto anterior. Foi bastante incisiva e, de certa forma, me criticou. Achei ótimo!! Não esperava coisa diferente dessa colega e fiquei muitíssimo grata. Assim eu me sinto reconhecida como sujeito e podemos conversar esclarecendo os mal entendidos. Gosto de quem se posiciona e diz a que veio. Vou, com muito prazer, manter essa amiga na lista dos meus leitores da crônica, e, obviamente, respondi a ela agradecendo.

 O que chamo de silêncio eloquente, usual para alguns colegas, e que fora do enquadre da análise em intensão, me constrange, me faz me sentir de certa forma desqualificada, e muito infelizmente, lembra o manipulativo e controlador procedimento de extinção (o nome já diz tudo) muito usado pelos behavioristas, foi a resposta dada por várias pessoas, grande maioria, psicanalistas.

 Entendi o silêncio à  minha consulta, como a expressão muda da não disposição de receber E-mails meus sejam de cunho político ou literário. Então este E-mail é o último que envio nesse teor, às pessoas que silenciaram. Se alguém silenciou querendo dizer outra coisa, diferente do que entendi, por exemplo a pessoa silenciou, supondo estar explícito no seu silêncio, que deseja continuar recebendo as mensagens políticas e/ou literárias, peço que me escreva esclarecendo, para eu corrigir minha percepção e dar continuidade ao envio. O silêncio, na verdade, causa uma certa dor, me deixa "com a bunda fora do lugar", mas aceito como a resposta possível de um certo número de pessoas que optam por ignorar, por não querer, não saber o que dizer, ou achar que não deve dizer nada, porque o meu pedido não merece resposta. Respeito e agradeço.

Algumas pessoas, creio que muito poucas, também poderão não terem respondido por não terem ainda lido o E-mail. Nesse caso, fico aguardando um retorno.
 

Algumas poucas pessoas preferiram responder por telefone ou pessoalmente. Achei isso também muito bom. Todas elas querem continuar recebendo a crônica e as mensagens políticas. Algumas poucas pessoas pediram para sair da lista e outras poucas pediram para não receber mensagens políticas.

Quero que todos fiquem certos que todas e quaisquer respostas ou não respostas, serão atendidas, do modo que entendi. Qualquer dúvida ou esclarecimento, por favor, me escrevam. Obrigada a todos. Creio que a partir de agora terei uma lista um pouco menor, mas com a garantia do "pente fino".
                                                                                                 Marcia Myriam Gomes.
 02/07/2016  CONSULTA  COM PEDIDO  DE RESPOSTA - TENTANDO  LIMPAR MINHA LISTA DE CONTATOS  DOS NOMES DE PESSOAS  QUE PREFEREM 
            NÃO RECEBER  MINHAS  MENSAGENS, PARTICULARMENTE  AS DE CUNHO POLÍTICO.


Olá, amigas (os), colegas psicólogas (os) e psicanalistas e companheiros na luta por um Brasil democrático, com igualdade de oportunidades para todos,

Tenho uma lista de E-mails bem grande. Mais de 300 nomes. Fui adicionando nomes à lista, à medida em que fui vivendo novas experiências. Tenho muitas (os) amigas (os). Particularmente pessoas que gostam das artes e da escrita. Fui professora da Ufba nas décadas de 70 e 80. Tive muitos colegas e alunos os quais participam da lista. Dei supervisão clínica a várias pessoas no meu passado não muito distante quando me denominava terapeuta cognitivo-comportamental. Adicionei essas pessoas à lista, bem como nomes de outros colegas que trabalham ainda nesta abordagem.

 Quando fiz a minha passagem para a psicanálise, ganhei amigas (os) e/ou colegas nos seminários que fiz e/ou faço na Letra Freudiana (Salvador), ou com a querida Alone Gomes. Na Letra Freudiana (Salvador), coordenei, se não me engano por 2 anos, uma atividade intitulada "Encontros de Psicanálise" quando convidávamos psicanalistas ou pessoas de outras áreas de saber para falar. Dessa atividade ganhei um bom número de contatos para minha lista. Nesse grupo, particularmente, há colegas psicanalistas que me conhecem pessoalmente e eu não conheço, ou vice-versa. Eu conheço pessoalmente mas a pessoa não me conhece. Ou então, não nos conhecemos pessoalmente mutuamente.

Atendi, infelizmente não por muito tempo (passei a não ter mais carro e por problemas na coluna, não pude mais pegar ônibus. Táxi para a Boca do Rio é muito caro), no Instituto Viva Infância. Quando tive o prazer de conhecer a colega e companheira de luta Cláudia Mascarenhas. Mali, eu já conhecia.

Participei até agora de um seminário de psicanálise coordenado por Arlete Garcia e aí vieram mais nomes para a lista. Como atividade paralela ao consultório, trabalhei por alguns anos como revisora de texto com o objetivo de ajudar quem escrevia a aprender esse ofício, tomando gosto por ele. Aí veio mais gente para a lista. Cursei uma disciplina como aluna especial na pós do Instituto de Letras. Na psicanálise, atualmente, estou mais próxima do Espaço Moebius, participando de várias atividades. Também gosto de comparecer a atividades eventuais no Campo Psicanalítico. Vai aumentando a lista.

 Não escondo de ninguém que tenho um passado de militância política na adolescência na organização de Lamarca, lutando com toda a garra contra a ditadura. Aos 17 anos saí da organização, mas ao entrar na universidade, colaborei com o movimento estudantil e dessas experiências, ganhei amigas (os) que fazem parte da lista. Algumas pessoas dizem que me exponho muito. Concordo e tento cuidar disso. Mas há o que fica de irredutível do sintoma. Tenho as minhas verdades inegociáveis e faço questão de explicitá-las. Me dou conta agora que com 63 anos, se for arrolar aqui por todos os lugares que passei e o que fiz para ter nomes na minha lista, vou fazer quase um curriculum vitae acadêmico. Deus me livre.

Então a mais, quero somente dizer que me posiciono politicamente à esquerda, luto por um Brasil democrático com igualdade de oportunidades para todos. Na minha leitura, como uma questão minha para a minha vida, acredito que ocupar o lugar de psicanalista, muito pelo contrário, não está dissociado de lutar por condições de vida que possibilitem a todas as pessoas se constituírem como sujeitos desejantes. Então junto a exercer a análise em intenção e extensão, tão causada quanto, exerço um trabalho político. Lutei contra o impeachment e quero FORA TEMER. Daí aconteceu que fiquei um tanto à frente e/ou próxima de movimentos de organização política de psicanalistas e psicólogos e também de outros movimentos.

A maioria de vocês sabe que escrevo aos domingos, não muito regularmente, uma "garatuja" literária que chamo de crônica e mando para toda a lista. É o "Blá, blá, blá domingueiro...". Sua finalidade é puramente literária. Escrever é muito importante para mim, e não creio que o faça mal, embora tenha muitíssimo o que melhorar. É uma coisa totalmente amadorística, de modo algum me considero escritora e tenho muito pudor com a ideia de publicar. Tenho amigos escritores que dizem que devo pensar seriamente nisso, dando uma trabalhada nos meus textos, selecionando os melhores e, me arriscando a sair do viés autobiográfico, incursionando pela ficção. Divulgo as crônicas num blog desde 2012. Se você tiver interesse o endereço é: blablablazista.bogspot.com.br  . O nome do blog é uma homenagem a meu amigo e grande poeta Carlos Machado (poesia.net) que assim me chamou brincando.    Muito tomada pelos acontecimentos políticos mais recentes, creio que escrevi as duas últimas crônicas com um teor bem à esquerda. Mas foi exceção. Gosto de escrever algo que me aproxime da literatura.

Bom, desculpem por eu ser prolixa. Mas a moral da história é a seguinte: com uma lista tão eclética, passei a usá-la para múltiplas finalidades. Principalmente colaborar com a divulgação de eventos que considero relevantes. Como, apesar de Temer, ou mesmo por causa dele, insisto em batalhar por liberdade de expressão, passei a veicular na minha lista muitas coisas.

 Costumo enviar a crônica para todos e como recebo no meu E-mail, as mais variadas informações sobre coisas das mais diversas naturezas e nunca me importei com isso, me sentindo invadida ou desrespeitada (pelo contrário, acho que quem envia está fazendo um legítimo uso da sua liberdade de expressão, contra a censura. Cabe a mim, sem qualquer ódio ou rancor, ler o que me interessa e deletar o que não me interessa, sem nenhuma animosidade com quem mandou), julguei que como se estivéssemos ainda numa democracia, eu teria direito de veicular pela minha lista também textos sobre a situação política, abaixo assinados, manifestos, escritos meus me posicionando em relação à conjuntura nacional, avisos de manifestações, etc. Creio que fui ingênua em não perceber que o atual momento é uma situação de alinhamento de posições que configuram concretamente a luta de classes. A elite é a elite. As camadas populares são as camadas populares e ai de quem se explicitar em sua defesa.

Recebi umas 6 ou 7 mensagens de colegas psicanalistas, algumas delicadas, outras, muito agressivas e elitistas, me solicitando ou mesmo ordenando, que deixasse de enviar "esses tipos de E-mails" ou que retirasse seus nomes da lista. Acatei, é claro, os pedidos. Mas a coisa não parou aí. Comecei a notar, entre outros incidentes, que alguns colegas psicanalistas que me tratavam muito bem, passaram a me cumprimentar muito formalmente, meio empinando o nariz ou virando a cara, encurtando a conversa.

 Confesso que algumas vezes cheguei a pensar que lamentavelmente, algumas pessoas estavam me tratando como uma "comunista que come criancinhas". Costumo arcar com o que faço. E não acredito em exercer o desejo sem perdas. De mais há mais, há perdas que me são indiferentes. Mas longe de mim, criar constrangimentos. Afinal de contas, frequento os meios psicanalíticos e sei que para meu próprio bem, preciso cuidar de respeitar as regras da boa convivência. Por outro lado, não quero perder meu tempo com quem não vale a pena. Fiquei muito triste de perceber que até algumas psicólogas, colegas de turma que costumavam dar retorno à minha crônica elogiando, dizendo que ficaram sensibilizadas, etc, depois dos meus posicionamentos políticos, passaram a silenciar. Lamentável.

Sabem o que mais? Resolvi passar um pente fino na minha lista. Na boa. Sem ressentimentos. Sei que algumas pessoas acreditam que política é uma mera questão de luta de ideias. Nada tem a ver com classe social. Há até quem pense que quem defende as camadas populares é fracassado com quem não se deve misturar. Há também quem acredite que política é como religião. Cada um tem a sua, não se discute. Menos ainda em ambiente de trabalho. Não pega bem em ambientes sociais onde as pessoas se divertem, falar do sofrimento do povo brasileiro. E por aí lá vai. Eu não quero nem posso mudar essas pessoas. Me resta respeitar seus pontos de vista (será que respeitam os meus?) e buscar a parceria de amigo junto a meus companheiros.

Então, minha cara, ou meu caro, peço que me diga numa boa se você, primeiro, quer continuar recebendo minha crônica literária. Tem gente que não gosta de literatura. Tem gente que gosta de literatura, mas até por ser muito exigente, não gosta do que escrevo. Ou não tem tempo de ler. Tem outras prioridades. Para que ficar recebendo uma coisa que não lhe interessa? Não é? Peço que me diga sinceramente. Se não quiser, retirarei seu nome da lista imediatamente.

Em segundo lugar, independente de querer ou não receber a crônica literária, você prefere não mais receber E-mails de teor político, a favor das camadas populares, contra o impeachment, FORA TEMER, elogiando Dilma, independente de eu ser Petista ou não? Se você preferir, peço que me diga. Se posicione. Retirarei seu nome da lista numa boa. Você pode querer uma coisa e não outra. Respeitarei seu pedido sem qualquer ressentimento. Afinal, é melhor não ter seu nome na lista do que ficar sem saber por que você me cumprimenta formalmente, me vira a cara, finge que não me viu. 

Há até quem recebe a crônica, há anos, e dá uma de João sem braço. Silencia. Como não é psicanálise, não merece ser mencionado. Estranho um pouco que isso se exerça fora do âmbito da análise em intenção. Na minha opinião isso é uma falta de rigor com a psicanálise. Mas há vários psicanalistas chegados a responder com eloquentes silêncios. Até me lembram os behavioristas com seu famoso procedimento de "Extinção". Ao qual tenho horror, quando usado por abuso, fora do consultório. Por favor, peço que gaste 10 minutos de seu tempo. Me escreva um E-mail, se posicionando. Não quero mais mandar minha crônica para quem não a lê. Não quero mais mandar E-mails de teor político para aqueles a quem isso parece causar horror.  Ficarei imensamente grata se você se posicionar. Gratíssima. Quem sabe até, fiquemos amigos? Só de uma coisa não abro mão:não converso com fascista. Aquele que exerce autoridade não sabendo ouvir.
                                                                                            Um abraço,
                                                                                         Marcia Myriam Gomes.

sexta-feira, 2 de setembro de 2016


11/06/2016   CARTA  A  UM AMIGO QUERIDO,  POETA COM QUEM ME AFINO NAS POSIÇÕES POLÍTICAS.


Salve, salve, querido amigo,

Vê, como estou sem tempo? Não por falta de vontade, só agora lhe respondo. Pois é, amigo, certo estava Riobaldo. "Coração de gente, o escuro, escuros". A partir do terrível GOLPE, minha vida tem mudado muito. Nada mais natural, me parece. O macro determinando o micro. Ganhei novos amigos e perdi uma grande amiga por ter contado num texto chamado "Depoimento Comovido", sobre a denúncia que fiz dentro de um cinema, de um almoço que houve na casa desta grande amiga, onde era convidada uma mestra psicanalista muito famosa no Brasil e que vem do Rio dar seminário aqui, que falou desrespeitosa comigo e outra colega de esquerda, barbaridades fascistas, fazendo uso abusivo e fora de contexto de conceitos da teoria psicanalítica.

 Denunciei no cinema, escrevi o texto, e como gosto de tentar ser coerente e arcar com o preço do que defendo e faço, mandei o texto para todas elas que estavam no almoço, inclusive para minha grande amiga, dona da casa. Resultado: minha grande ex-amiga. Mais ainda: todas as colegas que frequentam o seminário e/ou fazem análise com a tal mestra, estão me virando a cara, praticamente não me cumprimentam. Luta de classes, meu amigo. Ao fim e ao cabo serviu para eu implementar uma importante mudança na minha vida. Provavelmente abandonarei esse seminário e me inscrevi como participante do Espaço Moebius, instituição psicanalítica onde estão duas companheiras (mãe e filha) muito engajadas na luta política.

Será que você leu o "Blá, blá, blá...." intitulado "A Clareza de Clara", onde conto muitíssimo emocionada, a experiência de assistir ao filme documentário sobre Iara Iavelberg, a companheira de Lamarca, na organização de que fiz parte? Descobri no filme que o companheiro que era meu "ponto", era quem articulava os encontros de Iara e Lamarca. Sem que eu soubesse naquela época, eu estive a poucos metros de Iara. Tudo no filme me emocionou muito. No final houve um debate com uma filiada ao PCdoB que tem dois irmãos "desaparecidos" na guerrilha do Araguaia. Essa senhora me convidou para dar um depoimento no "Tortura Nunca Mais" e eu, claro, me prontifiquei. Veja se você ainda tem o texto do "Blá, blá, blá....".

No aniversário de Ana Cecília (vosso aniversário) haveria um almoço para os amigos mais íntimos. Infelizmente, foi desmarcado em cima da hora, porque ela amanheceu super gripada. Infelizmente está havendo um certo pequeno estranhamento entre eu e essa minha tão querida melhor amiga. Ana é extremamente sensível, amorosa, conciliadora e ainda, para complicar, tem os seus princípios do catolicismo. Então ela de certa forma, acha que temos que amar a todos, estejam à direita ou à esquerda, embora ela se posicione claramente contra o GOLPE e pela democracia. Eu, já sou mais implacável. Ela acha que devemos preservar os amigos independente de posições políticas e nos abster de nos posicionar em certos lugares para não angariar desafetos. Já eu sou mais passional. Vamos ver o que fazemos para não macular a nossa amizade, esta sim, super importante, inegociável.

Quanto a Eulina (Bolota), fica muito difícil para mim. A considero uma pessoa muito inteligente e capaz, mas acho que se ela, ao invés de ter orgulho, tem horror a seu passado de pobre, está se desqualificando como sujeito e deveria se submeter a uma análise, ao invés de oportunisticamente se posicionar à direita. Ao contrário do que pensa Ana Cecília, super generosa e ao meu ver, um pouco ingênua, o que talvez faça bem à sua poesia, uma pessoa como Bolota, para mim é difícil, ter como amiga, porque no meu modo ver perdeu o respeito por si própria. 

Não entendi, (pra que entender?) mas achei super bonito a sua leitora baiana, dizer ter sido por muito tempo um brinquedo de Chronos. Bom saber que tem muita gente botando a boca no trombone a respeito do Golpe. Ontem teve uma mega manifestação na Paulista, não foi? Estou atrasada na leitura do boletim, e gostaria também de estar podendo ler e opinar sobre "A Mulher de Ló". Mas tudo tem seu tempo. Faço aniversário no próximo dia 19. Apenas sairei para almoçar, com um pequeno grupo de companheiros na luta. Essa tem que continuar. Grande abraço em Maria José.
                                                                                                                          Grande abraço,
                                                                                                                         Doutora Freud                                                                                                           
 02/09/2016   DOUTORA  CRISTIANA SANTOS,  (Filha do Doutor Roberto Santos) MULHER LÚCIDA E CORAJOSA- DEPOIMENTO SOBRE O GOLPE.  
             DOIS DIAS APÓS O VERGONHOSO 31/08/2016 , QUANDO  A MAIORIA DE CANALHAS  DO SENADO, EXPULSOU DEFINITIVAMENTE DILMA DA PRESIDÊNCIA.                                                          
Muito pouco tem a ver com militância política, posicionamentos à esquerda, supostas tentativas de fazer a cabeça de vocês, coisas que às vezes assustam ou mesmo incomodam, particularmente alguns colegas psicanalistas posicionados a favor do GOLPE ou mesmo, preferindo não saber nada disso. É um depoimento sensível da competente advogada Cristiana Santos, filha de uma tradicional família baiana, tendo como pai o honrado e muito respeitado, Doutor Roberto Santos. Peço que leiam e se quiserem, passem adiante.


Olá, amigas (os), colegas, companheiros de luta pela DEMOCRACIA,

Como vocês podem ver abaixo, a Doutora Cristiana Santos, brilhante advogada que vive em Salvador e não põe em dúvida o direito de pessoas humildes, a exemplo de filhos de empregada doméstica, usufruírem de um trabalho de análise (sou testemunha disso), nem de longe é uma comunista, muito menos filiada ao PT ou ao PCdoB , essas coisas que às vezes aterrorizam algumas pessoas que, desinformadas às vezes, temem pessoas como eu, posicionadas à esquerda, com medo de que no Brasil possa se instalar um governo socialista que retiraria seus cômodos privilégios.

 Menos ainda, Cristiana Santos é uma defensora da corrupção, nem tem uma visão sem crítica dos erros do PT. É uma mulher absolutamente honesta, competente, cumpridora de seus deveres e filha de Dr. Roberto Santos. Quem não conhece o Dr. Roberto Santos? Estou muito orgulhosa desse depoimento de Cristiana. Uma mulher sensível, inteligente e corajosa, que se respeita a ponto de se permitir pensar por sua própria cabeça. Leiam o depoimento dela sobre o que vem acontecendo no nosso país. É comovente. Vou telefonar a ela para parabenizá-la.
                                                                                                                       




Date: Thu, 1 Sep 2016 16:53:26 -0300
Subject: Vale a leitura


Queridos,
Envio-lhes uma publicação de Cristiana Santos, filha de Dr. Roberto e d. Maria Amélia, ele talvez o maior baiano vivo e ela personalidade forte e presente, nossos padrinhos de casamento. Advogada baiana, professora universitária Cristiana escreveu a peça a seguir, que pela qualidade, serenidade e seriedade com que a construiu, pensei em compartilhá-la, acreditando que nossas crenças balizam nossas atitudes e, considerando o  pensamento claro, racional e com fortes argumentos que Cristiana se utilizou, penso que talvez possamos estabelecer comunicação entre nossos universos de pensamento. 
Carinho sempre,


Hoje não é um dia feliz para nenhum brasileiro. Não pode haver o que se comemorar diante do segundo impeachment depois da redemocratização. De 1930 até 2016 tivemos apenas 4 presidentes que, tendo sido eleitos pelo voto popular, chegaram a concluir o seu mandato (Dutra, Juscelino, Fernando Henrique e Lula). Há algo errado conosco. Há algo errado com nosso sistema político.
Mas reconheço que para alguns o dia é mais triste do que para outros. Me incluo entre eles. Venho de uma geração que nasceu e viveu a adolescência no período da ditadura, e que durante a juventude, tempo de sonhos e idealismo, se encheu da esperança de estar assistindo um novo Brasil nascer a partir do processo de redemocratização.
Não sonhávamos apenas com a liberdade de expressão, de imprensa, de associação, com o direito ao voto ou com a pluralidade partidária. Sonhávamos também com um país com menos pobreza, fome, desigualdade social, corrupção. Alguns dirão que isso é "coisa de comunista". Fantasia. Vários dos países mais capitalistas do mundo são mais igualitários e republicanos do que o nosso. O capitalismo precisa, sim, de mercado consumidor, o que pede a redução das desigualdades. De outro lado, não há nada mais liberal do que ter políticas públicas que igualem as oportunidades de pessoas que nasceram em famílias que têm situações financeiras distintas, mas são iguais em suas capacidades intelectual e de trabalho, razão pela qual o Estado deve proporcionar-lhes condições de desenvolver suas potencialidades através da educação e saúde pública e gratuita. Mas não é assim que pensam nossas elites. Julgam que dar oportunidade aos que tem menos condições financeiras é tirar o lugar que seria seu por direito de nascença, em clara remissão a uma leitura de mundo "aristocrática".
Este sonho de construir um país menos desigual começou, sim, a plantar seus alicerces com o plano real. Vivíamos, então, uma inflação de mais de 80% ao mês. Ora, a inflação é a perda do poder de compra da moeda. Isso significa que uma pessoa que recebia R$ 100,00 no começo do mês, e com este dinheiro comprava 10 quilos de feijão ao custo de R$ 10,00 cada, no final do mês só conseguia comprar 2 quilos, pois a inflação havia corroído o poder de compra. Os que tinham recursos se protegiam colocando seu dinheiro em aplicações financeiras de rendimento diário que mantinha, através da correção monetária, o valor de compra, além de pagar juros. Até isso era desigual.
O real pavimentou as condições para os aumentos reais do salário mínimo. Outra ação importante foi a criação do bolsa escola. Mas o governo FHC pecou em outras questões. As universidades públicas federais foram sucateadas, pois havia um projeto de privatiza-las. Parte do patrimônio público foi privatizado a preço de banana e com muita corrupção. As desigualdades sociais eram altas, o que se via nos indicadores de saúde (mortalidade infantil, saneamento básico, etc), educação (analfabetismo, evasão escolar, acesso ao ensino superior, etc) e renda. A fome era uma realidade social. Em cidades do interior tínhamos saques de mercado em tempos de seca. O segundo governo FHC sofreu as consequências de uma grave crise econômica mundial. O desemprego era alto. Na sucessão de FHC, o PT ganhou as eleições, enchendo o país de esperança de mudança.
Nos 13 anos de governo do PT, a pauta da redução das desigualdades se fez muito mais presente. Tivemos: a) aumentos reais do salário mínimo; b) unificação dos programas de transferência de renda do governo FHC (bolsa escola, etc) no bolsa família e aumento do contingente de pessoas atendidas; C) criação de meios de expansão (novas universidades, concursos públicos para docentes, etc) e democratização do acesso ao ensino superior (PROUNI, REUNI, FIES, cotas, etc) ; d) expansão do crédito (criação do empréstimo consignado, etc); criação de políticas habitacionais; e) fortalecimento de medidas de promoção da igualdade (mulher, afrodescendentes, índios, pessoas com deficiência, LGBT, etc). f) 40 milhões de brasileiros das classes D e E a ascenderem à classe C.
Não ignoro os erros do PT. Não fez a reforma política que o país precisa; sucumbiu ao fisiologismo; aceitou alianças espúrias e sem nenhuma identidade ideológica (trabalharam com as moedas "cargos e dinheiro", o que fez nascer o mensalão); abraçaram mais o projeto de permanência no poder do que um projeto para o país e, por fim, se permitiram corromper. Com relação a estes aspectos, fizeram tudo o que combateram e o que prometeram mudar. A lava-jato tem mostrado isso.
Se penso assim, porque lamento o impeachment de Dilma? Lamento por não termos respeitado as urnas; lamento por ter visto o PSDB/DEM preferir o atalho do impeachment sem crime de responsabilidade do que o embate legítimo e legal da política e da disputa eleitoral; lamento por ver pessoas que votaram no PT e se desiludiam com a corrupção acreditarem que ao apoiar o impeachment estão ajudando a passar o país a limpo; lamento por parte da população não entender/acreditar quando apontamos que estamos diante de um golpe da direita que não corrigirá as mazelas do PT (pois em termos de fisiologismo e corrupção age igual). O FATO É QUE ESTAMOS ACEITANDO PASSIVAMENTE UM GOVERNO QUE TRAZ UMA PAUTA DE AÇÕES QUE JAMAIS SERIA REFERENDADA PELO VOTO POPULAR. Estamos (enquanto nação) enterrando nossos ideais de redução das desigualdades através de políticas públicas implementadas pelo Estado para dar uma guinada de 180 graus, representada por um governo mais de direita do que o de FHC foi. Isso é, na minha ótica, muito mais grave do que gostar ou não de Dilma ou do PT.
Lamento, e muito, que parte da população só vá entender o que está acontecendo quando: a) o SUS "reduzir" de tamanho afetando a população mais pobre e piorando as condições de trabalho dos médicos; b) para criar um plano de saúde "para pobres" que só atenda algumas doenças, o Congresso alterar a Lei de Planos de Saúde, estendendo essa possibilidade a todos os planos, inclusive os da classe média e da elite, que ficará dividida entre pagar mais caro do que paga ou migrar para o SUS; C) o ensino superior privado vier a ser mais apoiado do que já é, em detrimento das universidades públicas; d) a precarização das relações de emprego se aprofundar pela implementação do "combinado sobre o legislado"; e) nossa geração sofrer os impactos da reforma da previdência, embora já esteja no mercado de trabalho há mais de 20 anos; f) a recessão e a redução da teia de proteção social formar um barril de pólvora para a segurança pública, impactando na integridade de cada um de nós; g) ficar evidenciando que Temer também terá dificuldades de impor um ajuste fiscal que nos faça sair da crise porque ela tem sim, um componente externo (abrangência mundial) h) a proibição de aumento de gastos públicos por 20 anos nos levar a uma significativa redução do Estado, com impactos na saúde, educação e políticas sociais; i) a corrupção continuar na agenda do dia, pois parte do meio político (em TODOS os partidos) se alimenta dela.
O governo Temer começou hoje . E isso significa que a oposição e o fogo amigo do PSDB/DEM, que não querem que ele chegue forte a 2018 também. Com pouco tempo de gestão, uma agenda impopular e uma base parlamentar fisiológica os desgastes virão, e a "paixão" irá sucumbir à realidade. Vamos aguardar. Até lá, a centro esquerda e a esquerda precisam se renovar em termos de ideias e práticas, de modo a não cometer os mesmos erros, para que possamos continuar trabalhando para construir um mundo mais justo e igual.
PS - a Vice- Procuradora Geral da República declarou que Temer está sendo objeto de delação na lava-jato. Será que vão pedir o impeachment dele? Ou o horror à corrupção só vale contra o PT.
Desculpem se me estendi .  CRISTIANA  SANTOS.
28/05/2016  INFORME  SOBRE A EXCELENTE REVISTA  "LACUNA", NUM PERÍODO DE EFERVESCÊNCIA DA LUTA POLÍTICA CONTRA O GOLPE (IMPEACHMENT  DA PRESIDENTA DILMA), QUANDO JUNTO A OUTROS COLEGAS COMBATIVOS, ESTIVE À FRENTE DA TENTATIVA DE ORGANIZAR OS PSICANALISTAS E PSICÓLOGOS DA BAHIA.

Olá, pessoal politicamente esclarecido,

Finalmente, uma revista de psicanálise que responde a interesses mais diversificados do que a questão da clínica tratada com uma especificidade teórica que acaba por afastar leitores que se dedicam a outras áreas de saber. Traz as atas do Ato político realizado na USP, as quais já mandei para vocês, tem um texto excelente articulando psicanálise, filosofia, marxismo e outras formas de saber, fazendo uma crítica ao neo liberalismo, parece que há uma matéria com Jean, o deputado que cuspiu em Bolsonaro e muito mais, de excelente nível. Ainda quase não pude ler. Dei uma olhada geral e cuidei de repassar logo para  vocês. Se gostarem, mantenham-se lendo e acompanhando. Vejam a página no Facebook.
                                                                                                            Um beijo,
                                                                                                              Marcia.


> Subject: Fwd: [MPASP] Revista Lacuna, n. -1

> Date: Fri, 27 May 2016 14:45:06 -0300
> To: marciamyriamgomes@hotmail.com
> Marcia, 
> Aí vai o endereço da revista Lacuna, excelente!
> > 
> > A revista é online (www.revistalacuna.com) e o acesso é gratuito e irrestrito. Não há versão impressa. 
> > 
> > Uma boa forma de se manter informado sobre os próximos números é acompanhar/curtir a página no Facebook (www.facebook.com.br/revistalacuna).
> > 
> > O texto pode ser compartilhado, sim, sem problemas. Ao final de cada artigo se encontra a forma de citá-lo.
> > 
> > Abraços,
> > 
> > Paulo
> > Equipe Lacuna. 
> > 
> > Enviado do meu iPhone
> > 
> >> 
> >> 
> >> 
> >>> Em 26/05/2016, às 19:56, 'Carolina Cardoso' via Psicanálise_Autismo_SaúdePública <psicanalise_autismo_saudepublica@googlegroups.com> escreveu:
> >>> 
> >>> Parabéns, Paulo! A revista está ótima! 
> >>> 
> >>> O texto do André Nader permite algumas aproximações acerca da inclusão escolar das crianças autistas.
> >>> 
> >>> Abç!
> >>> Carolina C. Tiussi
> >>> 
> >>> --------------------------------------------
> >>> Em qui, 26/5/16, 'Paulo S. de Souza Jr.' via Psicanálise_Autismo_SaúdePública <psicanalise_autismo_saudepublica@googlegroups.com> escreveu:
> >>> 
> >>> Assunto: [MPASP] Revista Lacuna, n. -1
> >>> Para: "psicanalise_autismo_saudepublica@googlegroups.com" <psicanalise_autismo_saudepublica@googlegroups.com>
> >>> Data: Quinta-feira, 26 de Maio de 2016, 18:43
> >>> 
> >>> Caros
> >>> colegas,
> >>> O
> >>> segundo número da Revista Lacuna (n. -1) está
> >>> no ar.
> >>> www.revistalacuna.comwww.facebook.com.br/revistalacuna 
> >>> Nessa
> >>> edição:
> >>> ____________________________________Editorial
> >>> | p. 0 
> >>> 
> >>> Manicômios, prisões e liberdade: entre o pessimismo da
> >>> razão e o ideal de igualdade | p. 1 
> >>> André Ricardo Nader 
> >>> 
> >>> Renunciar a “dizer tudo” | p. 2 
> >>> Jeanne Marie Gagnebin 
> >>> 
> >>> Procura-se analista segurx. Uma conversa sobre normatividade
> >>> e escuta analítica | p. 3 
> >>> Beatriz Santos e Elsa Polverel 
> >>> 
> >>> Espectro: vejo uma porta pintada de vermelho e a quero
> >>> pintada de preto | p. 4 
> >>> Ian Parker 
> >>> 
> >>> Diário de uma tensão | p. 5 
> >>> Ricardo Lísias 
> >>> 
> >>> Caso
> >>> clínico | Trauma e clínica psicanalítica | p. 6 
> >>> Paula Regina Peron 
> >>> 
> >>> Telecatch | Estados-limite | p. 7 
> >>> Manoel Madeira e Jonas O. Boni Jr. 
> >>> 
> >>> Charges | p. 8 
> >>> André Dahmer 
> >>> 
> >>> Língua materna, língua estrangeira: reflexões sobre a
> >>> língua do analista | p. 9 
> >>> Ana Gebrim 
> >>> 
> >>> Psicanálise, diferenças antropológicas e formas
> >>> políticas: para introduzir a diferença intensiva | p. 10
> >>> Guillaume Silbertin-Blanc 
> >>> 
> >>> Atas do Ato ‘Psicanalistas pela democracia’ | p. 11 
> >>> Paulo Endo, Heloisa Marcon, Christian Ingo Lenz Dunker,
> >>> Michele Kamers, Centro Acadêmico Iara Iavelberg, Maria
> >>> Auxiliadora Arantes e Heidi Tabacof 
> >>> 
> >>> Entrevista | Ódio e política no Brasil | p. 12 
> >>> Jean Wyllys 
> >>> 
> >>> Carta a Rudolph Loewenstein de 14 de julho de 1953 | p.
> >>> 13 Jacques Lacan 
> >>> Resenha
> >>> | O circuito dos afetos (Safatle, 2015) | p.
> >>> 14 Alessandra
> >>> Affortunati Martins Parente